No México, manipulação nas redes sociais ocorre desde 2012 e estará presente na eleição deste ano Reprodução

No México, manipulação nas redes sociais ocorre desde 2012 e estará presente na eleição deste ano

Muito antes da agora comprovada fraude russa via Facebook e outras redes sociais e plataformas durante a eleição presidencial dos Estados Unidos, em 2016, os bots e trolls online dominavam e influenciavam a opinião política no México, sem que os norte-americanos tenham percebido o que poderia ocorrer com eles. “É surpreendente para mim que nos Estados Unidos não tenhamos olhado para a nossa fronteira ao sul para ver o que poderia acontecer", diz o pesquisador de Oxford Sam Woolley.

Agora, a expectativa dos especialistas é que os mexicanos voltem a enfrentar o problema na eleição deste ano, em 1º de julho, que definirá o sucessor do presidente Enrique Peña Nieto. Há ainda informações segundo as quais empresas especializadas em direcionar propaganda na web, como a britânica Cambridge Analytica, que trabalhou com os republicanos Donald Trump e Ted Cruz, estão atuando no México.

Paola Villarreal, engenheira e ativista que escreveu sobre bots na política mexicana, disse ao site Fast Company que, no pleito deste ano, os candidatos provavelmente usarão robôs para alienar os seguidores de seus rivais políticos e mobilizar seu eleitorado. "Acho que o uso dos bots na eleição mexicana vai ser mais para desmoralizar e desmobilizar o eleitorado, em vez de fazê-los votar por alguém", afirmou.

Prática antiga

Já nas eleições gerais mexicanas de 2012, relata o Fast Company, o Twitter foi tomado de contas automatizadas que apoiavam Peña Nieto. O hacker colombiano Andres Sepulveda, em entrevista a Bloomberg Businessweek em 2016, afirmou ter obtido US$ 600 mil para influenciar digitalmente o pleito a favor do atual presidente, pirateando as redes dos rivais e implementando um exército de 30 mil bots no Twitter. Algo parecido foi feito pelos concorrentes de Peña Nieto.

A ação fraudulenta na redes sociais no México não se limita a eleições. Em 2014, quando o então presidente dos Estados Unidos Barack visitou o México, os robôs apagaram os tópicos que protestavam, no Twitter, contra a visita, informou o ativista Alberto Escorcia. O mesmo ocorreu, por exemplo, com manifestações contra o aumento dos preços da gasolina e do petróleo. Acredita-se que os robôs tenham espalhado falsos relatos de saques violentos em um esforço para formar a opinião pública contra os manifestantes e suas causas. O Twitter informou ter tomado uma série de medidas para evitar as ações fraudulentas, principalmente na eleição deste ano.

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https://www.fastcompany.com/40531308/to-see-the-future-of-social-media-manipulation-in-politics-look-to-mexico