Além de textos, fotos, vídeos e conteúdos digitais específicos, uma das linguagens escolhidas para falar destes santificados será no formato HQ Além de textos, fotos, vídeos e conteúdos digitais específicos, uma das linguagens escolhidas para falar destes santificados será no formato HQ / Divulgação

Santificados: O POVO retoma série sobre personagens da fé popular

Uma série de histórias é apresentada na nova empreitada etnográfica realizada pelo O POVO, no Especial Santificados - Do tamanho da fé. A partir desta terça-feira, 26, o conteúdo jornalístico será publicado-postado-comentado-assistido nas várias plataformas do Grupo O POVO.

É uma reportagem de aprofundamento sobre vida, morte e crença em personagens e cenários do sagrado popular cearense: o leproso que obra milagres, o santo ensacado na praia, os rezadores, a catequista que ganhou uma capela do viúvo dedicado, a freira vicentina cearense que pode ser beatificada, a mulher que conversa com anjos e santos.

No dia 3 de dezembro, terça-feira da próxima semana, será lançada a segunda parte desta edição: Santificados - Da agonia e da paz, com virtudes e martírios de personagens femininas.

"A busca dessa fé espontânea forjada no sofrimento, na dor, na generosidade e na exaltação já foi retratada na primeira fase do projeto, em 2011, com a publicação da trilogia Santificados (Nos altares de beira de estrada, Das preces de lembrar, vidas e credos e Da graça de acreditar e duvidar). Agora, O POVO retoma a trajetória para contar histórias de outros santificados pelo povo", explica a editora coordenadora do projeto, Fátima Sudário.

O material se revigora com mais biografias e contextos celebrados em altares caseiros do Interior do Estado. Os repórteres Ana Mary C. Cavalcante, Cláudio Ribeiro e Demitri Túlio, do Núcleo de Jornalismo Investigativo, e os fotógrafos Fábio Lima e Júlio Caesar, percorreram mais de 4 mil quilômetros no mapa do Ceará para entrelaçar as narrativas.

"É sobre a investigação da fé popular, que cria seus santos, deuses, seus anjos e assombrações, encruzilhadas, independentemente das regras do Vaticano ou do estado de controle de qualquer religião. Só sabe dela mesmo quem inventa a graça pra ir vivendo esse mundo meio irreal", pontua Demitri Túlio.

Além de textos, fotos, vídeos e conteúdos digitais específicos, uma das linguagens escolhidas para falar destes santificados será no formato HQ. As adaptações de dois "santos", Ezequiel e a quase beatificada Benigna, de Santana do Cariri, foram para os quadrinhos no traço do artista visual Carlus Campos, do O POVO.

O jornalista Émerson Maranhão e o filósofo Nahor Lopes de Sousa Jr, da Academia Brasileira de Hagiologia, que estuda santos, assinam ensaios sobre a temática. O projeto gráfico é de Cristiane Frota e Deglaucy Jorge. A concepção online é de Mauro Santos.

Uma das histórias terá publicação exclusiva no ambiente digital. Será a da Menina Perdida, uma criança que se desgarrou da mãe numa localidade na divisa entre o Rio Grande do Norte e o Ceará. A garota esmoreceu pela última vez à sombra de um pé de angico, já no território cearense de Iracema. Morreu de sede e fome. Fiéis depositam garrafas d'água e brinquedos no marco de seu calvário.

Na artesania do especial de amanhã, a sina de José Francisco, "o inocente enterrado vivo" por um crime de honra que não cometeu, é contada toda em rimas: "Nas questões de fé, o pouco que se sabe é o muito em que se acredita. O certo é que, de um miserável, se faz uma alma bendita. Nesse mistério não cabe razão, resposta, explicação. Basta a expiação e a misericórdia, a cura alcançada, a morte desfeita, enfim, o mal sanado, para o vivente pecador ser o morto santificado". Versos de fatos do distante 1901, na cidade de Cariré, mas cabem para qualquer novo santo que o povo revele.