As gigantes de tecnologia sofrem da monocultura do pensamento, diz ex-diretora de Relações Públicas do Google

As gigantes de tecnologia sofrem da monocultura do pensamento, diz ex-diretora de Relações Públicas do Google

As grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos que mantêm vorazes práticas comerciais para avançar rapidamente e dominar o meio digital em quase todo o mundo sofrem do pensamento único, sustentado pela falta de diversidade. Esse comportamento limita a capacidade dessas companhias de prestar melhores serviços e, principalmente, evitar problemas típicos do monopólio desmedido, muitos deles ameaças à democracia, como as notícias falsas e a apologia ao ódio. Esse é o cenário traçado pela ex-diretora de Relações Públicas do Google, Jessica Powell, em livro recém lançado. A obra – The Big Disruption – tem tom de sátira, mas revela muito da realidade das empresas do Vale do Silício

"Não acho que todos tenham a mesma capacidade de se expressar [nessas companhias]", disse Powell em uma entrevista. "Mesmo afastando-se de questões mais gerais em torno da diversidade de gênero, etnia ou classe, há também um problema sobre a formação acadêmica das pessoas”, afirma. “Se há uma hierarquia na qual os engenheiros estão no topo e as pessoas que interagem com o mundo exterior são menores, então algo importante foi perdido na medida em que esses funcionários não têm uma voz igual na mesa. É uma monocultura do pensamento; isso é um problema real ", defendeu.

De um modo geral, diz o jornalista Farhad Manjoo, especialista em tecnologia do jornal The New York Times, Powell sugere que muitos problemas nas empresas de tecnologia podem ser atribuídos a um pensamento obcecado por engenharia e dados que não encorajam a participação de pessoas fora dessa bolha. “Isso não é novidade. O Google e seus rivais publicaram relatórios anuais de diversidade por anos, mas suas estatísticas globais mal se mexeram. Vários estudos recentes apenas enfatizam o problema”, lembra.

O jornalista exemplifica. Segundo ele, de acordo com uma análise da Carta, empresa que administra as ações de funcionários, as mulheres recebem sistematicamente participações menores em empresas emergentes. Outro estudo, da firma de recrutamento Hired, descobriu que há também uma persistente diferença salarial na indústria do Vale do Silício.

Manjoo, entretanto, diz que, por meio da ficção, Powell coloca sobre a mesa uma verdade que muitos na indústria querem evitar: a falta de diversidade não é apenas uma das várias questões a serem resolvidas, é um problema fundamental. “É fonte de muitas outras aflições na tecnologia, desde o zelo à impiedosa lógica expansionista até as formas pelas quais as empresas mais brilhantes continuam tropeçando em obstáculos que elas mesmas causaram”.

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