Cresce pressão da mídia britânica por regras que garantam mais competitividade ao jornalismo diante do duopólio digital

Cresce pressão da mídia britânica por regras que garantam mais competitividade ao jornalismo diante do duopólio digital

A indústria jornalística do Reino Unido intensificou nesta semana a pressão que faz junto ao governo britânico com o objetivo de dar mais competitividade à imprensa diante de Google e Facebook. Há três principais reivindicações: imposto anual a ser cobrada das empresas de tecnologia da internet para o financiamento do jornalismo; divisão de receitas sobre o conteúdo produzido pela imprensa e distribuído por mídias sociais e sites de busca na web; e taxa zero de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para as produções digitais dos publishers.

As propostas são defendidas pela News Media Association (NMA) – que representa a imprensa nacional, regional e local – e estão associadas a uma revisão sobre os caminhos para a sustentabilidade da indústria de mídia britânica, apoiada pelo governo. O estudo, feito pela Cairncross Review, comandada pela economista Dame Frances Cairncross, está analisando quais intervenções podem ser necessárias para “salvaguardar o futuro” da “imprensa livre e independente”, informou o site britânico especializado em comunicação Press Gazette.

Em meio à pressão, o vice-presidente e diretor administrativo do Google para o Reino Unido e Irlanda, Ronan Harris, disse que a empresa está "comprometida em garantir um futuro jornalístico sustentável e viável", mas se recusou a comentar ao Press Gazette se a empresa seria contra um imposto sobre as gigantes da tecnologia. Ao abordar a análise do Cairncross Review, o executivo defendeu o desenvolvimento constante de inovação “que corresponde às demandas em mudança” do consumidor. “Até hoje, infelizmente, ninguém acertou a bala de prata, mas estamos aqui para fazer parcerias”.

No caso das publicações jornalísticas digitais, os britânicos querem que o governo siga os passos do Conselho de Assuntos Econômicos e Financeiros europeu que, no começo de outubro, chegou a um acordo sobre uma proposta que autoriza os Estados-Membros da União Europeia (UE) a aplicarem taxas de IVA reduzidas, super-reduzidas ou zeradas às produções digitais dos publishers, atualmente em 15%. A medida, uma vez implantada, alinhará o regime aplicável aos impressos (5% no mínimo, com alguns países autorizado a aplicar índices menores ou taxas “zero”) e dará aos produtores de notícias mais condições de competir com as companhias tecnológicas.

No Reino Unido, onde impressos estão livres de IVA, as versões digitais das publicações jornalísticas estão sujeitas a uma taxa padrão de 20%. O diretor da Professional Publishers Association (PPA), Owen Meredith, disse que a entidade tem apelado há anos para que o governo dê fim a uma “anomalia” fiscal que penaliza os consumidores digitais e desencoraja a inovação e o investimento na economia digital. “Agora, a UE finalmente agiu e os ministros do Reino Unido estão livres para modernizar as regras do IVA e corrigir esta injustiça”, afirmou. O PPA é um órgão comercial editorial que representa 260 publishers.

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https://www.pressgazette.co.uk/publishing-association-urges-chancellor-to-cut-digital-reading-tax/?utm_medium=email&utm_campaign=2018-10-17&utm_source=Press+Gazette+Daily+new+layout

https://www.pressgazette.co.uk/googles-uk-boss-says-tech-giant-ready-to-partner-with-government-over-outcome-of-cairncross-review/?utm_medium=email&utm_campaign=2018-10-17&utm_source=Press+Gazette+Daily+new+layout