Perfis falsos e automatizados são decisivos no alcance e na velocidade de propagação da desinformação nas redes sociais, diz estudo Reprodução

Perfis falsos e automatizados são decisivos no alcance e na velocidade de propagação da desinformação nas redes sociais, diz estudo

Programas de computador que enviam mensagens automaticamente, os bots desempenharam papel “crucial” na amplificação da desinformação espalhada nas redes sociais durante a eleição presidencial dos Estados Unidos, em 2016, e continuam a influenciar nos debates online. Nova pesquisa da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, descobriu que, no Twitter, 6% das contas identificadas como robôs foram capazes de difundir 31% das postagens não confiáveis, dentro uma análise com base em 14 milhões de mensagens e 400 mil artigos compartilhados na rede social entre o fim das primárias e a posse do presidente Donald Trump (de maio de 2016 a 20 de janeiro de 2017).

Os cientistas descobriram ainda que esses mesmos 6% de perfis falsos e robotizados propagaram 34% dos textos de fontes sem credibilidade. Além disso, segundo a pesquisa, os bots desempenham um papel importante na promoção de conteúdo de baixa credibilidade nos primeiros momentos antes de uma história se tornar viral. A breve duração deste período – de 2 a 10 segundos – revela o tamanho do desafio de combater a disseminação da desinformação online, disseram os pesquisadores.

"O estudo descobriu que os bots contribuem significativamente para a disseminação da desinformação online, além de mostrar a rapidez com que [a partir da ação dos robôs] essas mensagens podem se espalhar", afirma Filippo Menczer, da AFP e professor de ciência da computação da Universidade de Indiana, que liderou o estudo. A análise revelou que os bots amplificam o volume e a visibilidade de uma mensagem até que ela seja mais amplamente compartilhada, apesar de representar apenas uma pequena fração das contas que espalham mensagens virais.

Ao formar uma rede de compartilhamento, a estratégia de quem usa os bots chega ao seu principal objetivo. "As pessoas tendem a depositar maior confiança nas mensagens que parecem ter origem em muitas pessoas", explica Giovanni Luca Ciampaglia, cientista e que também atuou na pesquisa da Universidade de Indiana. "Os bots atacam essa confiança fazendo com que as mensagens pareçam tão populares que pessoas reais são levadas a espalhar esses conteúdos".

Os robôs são sofisticados e estão aptos a adaptar a desinformação ao seu alvo e visar aqueles que têm maior probabilidade de acreditar no conteúdo falso, diz o estudo, que fez uso de uma ferramenta que acompanha a disseminação de desinformação no Twitter e de uma segunda, que detecta bots por meio da inteligência artificial (IA). O levantamento concentrou-se no uso de bots “maliciosos" para fins de propaganda e manipulação.

"Nós identificamos duas estratégias vencedoras para esses robôs”, detalha Menczer. "A primeira é amplificar a mensagem muito rapidamente, nos primeiros segundos após a publicação”. A segunda, afirma, visa direcionar as contas de Twitter de pessoas influentes, como jornalistas e políticos, os encorajando a compartilhar o link com seus seguidores.

Os pesquisadores defendem que a redução no número de bots poderia constituir "uma estratégia eficaz" para limitar a distribuição de conteúdo de baixa credibilidade nas redes sociais. Eles realizaram um experimento com uma versão simulada do Twitter e perceberam que, ao remover 10% das supostas contas falsas, isso reduziria bastante a quantidade desinformação. "As plataformas das redes sociais conhecem nossos métodos, que são públicos e, portanto, estão disponíveis para eles", diz Menczer.

O Twitter reconheceu este ano que os bots estavam muito presentes na rede e serviram para propagar informações falsas. O site adotou uma série de regras para limitar sua influência.

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https://www.tribuneindia.com/news/world/twitter-bots-spread-misinformation-in-2016-us-election-study/686732.html