Reuters e AFP reduzem estruturas e cortam postos de trabalho; outras agências de notícias seguem o mesmo caminho Reprodução/Le Monde

Reuters e AFP reduzem estruturas e cortam postos de trabalho; outras agências de notícias seguem o mesmo caminho

As dificuldades de monetização enfrentadas pelas empresas jornalísticas de todo o mundo afetam também os negócios das agências de notícias, que fornecem aos veículos informação, entre reportagens, fotos e vídeos, 24 horas por dia e de forma ininterrupta. A France-Presse (AFP) e Thomson Reuters, que integram o principal trio de agências mundiais ao lado da Associated Press (AP), por exemplo, estão enxugando suas operações e demitindo profissionais.

A Reuters anunciou uma grande reorganização de seus escritórios europeus. Na Itália, 16 dos 45 postos de jornalistas serão extintos, e 10 empregos de 120 estão ameaçados na Alemanha. As redações de Madrid (Espanha) e Lisboa (Portugal), serão unificadas. O escritório de Paris (França), com seus 75 jornalistas, também pode sofrer cortes.

O plano apresentado pela Reuters visa aumentar o número de funcionários em seu centro de Gdynia, no norte da Polônia, onde, como em Bangalore, no sul da Índia, os jornalistas produzem boletins informativos financeiros em inglês. "Estamos em uma lógica de offshoring para usar mão de obra barata", admitiu um representante da agência em Paris.

Em busca do equilíbrio financeiro

Nomeado no último mês de abril, o CEO da France-Presse, Fabrice Fries, lidera um projeto de “transformação” que pretende reduzir em 16,5 milhões de euros os gastos da agência até 2023, incluindo 14 milhões de euros em termos de custos de pessoal. Isso implica a eliminação de 125 postos de trabalho (5% dos funcionários) em cinco anos. A empresa espera começar a retomar o equilíbrio financeiro em 2021.

A AFP viu suas receitas comerciais caírem 10 milhões de euros desde 2014 e registrará, em 2018, o quinto ano consecutivo de déficit. "Quando os veículos não têm mais os meios para assinar a agência, cancelam seus contratos ou os renegociam amplamente para baixo", disse Philippe Faye, representante da equipe no conselho de diretores da AFP.

Os cortes de vagas, permitiriam, segundo a direção da agência, limitar o aumento de despesas da AFP, que, sem "profunda ação de correção", somada à leve queda das receitas comerciais, provocaria um déficit operacional acumulado de 90 milhões de euros nos próximos cinco anos.

O plano prevê o menor número possível de demissões por meio da não substituição de 160 saídas "naturais", com a criação de um dispositivo de estímulo à aposentadoria (258 funcionários terão 65 anos em 2023, dois terços dos quais são jornalistas). A empresa estuda a possibilidade de 35 novos recrutamentos no mesmo período.

Mais cortes

Outras organizações estão reduzindo suas estruturas. A alemã Deutsche Presse-Agentur (DPA), quarta agência mundial de notícias, anunciou que vai demitir 40 de seus 50 jornalistas de língua espanhola. "Lamentamos [a supressão dos postos de trabalho] e estamos em negociações com os trabalhadores envolvidos para encontrar uma solução socialmente aceitável", disse o chefe de redação da DPA, Sven Gosmann, em comunicado.

Leia mais em:

https://www.lemonde.fr/economie/article/2018/11/21/reuters-et-l-afp-reduisent-leurs-effectifs_5386424_3234.html

https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/agencia-noticiosa-alema-dpa-vai-eliminar-40-lugares-de-redator-em-castelhano

https://expresso.sapo.pt/internacional/2018-10-16-Agencia-France-Presse-quer-reduzir-custos-e-admite-eliminar-125-postos-de-trabalho