Repórter Wa Lone, da Reuters, encarcerado em Mianmar Repórter Wa Lone, da Reuters, encarcerado em Mianmar / Reprodução / Reuters

Ano termina com número recorde de jornalistas presos no mundo, diz CPJ

O número de jornalistas presos pelo exercício de sua profissão no mundo todo aumentou pelo terceiro ano consecutivo, segundo relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgado nesta quinta-feira (13). No último dia 1º de dezembro, a entidade registrava o encarceramento de ao menos 251 jornalistas, com os regimes autoritários recorrendo cada vez mais à prisão para silenciar críticas e dissidências. Os últimos três anos registraram o maior número de jornalistas presos desde que o CPJ começou a compilar estatísticas sobre o tema, com recordes consecutivos em 2016 e 2017. Os dados indicam, lamentou a entidade, que a prisão de centenas de jornalistas se transformou na "nova normalidade".

China, Egito e Arábia Saudita aprisionaram mais profissionais do que no ano passado, ao intensificarem a repressão aos jornalistas locais, e a Turquia continuou sendo o pior carcereiro do mundo pelo terceiro ano consecutivo, com pelo menos 68 pessoas atrás das grades. No continente americano, figuram na lista a Venezuela, com três presos, e o Brasil (segundo o relatório, Paulo Cezar de Andrade Prado, responsável pelo Blog do Paulinho), com um, enquanto nos Estados Unidos, "onde os jornalistas enfrentaram uma retórica hostil e violência física", não há profissionais na prisão, mas houve nove detenções ao longo do ano.

Em meio à retórica global contra a imprensa, diz o CPJ, 70% dos jornalistas foram presos por acusações contra o Estado e 28 acusados de divulgar "notícias falsas". A política foi o tema mais perigoso para a cobertura jornalística, seguido pelos direitos humanos. O número de mulheres jornalistas atrás das grades aumentou, com 33 encarceradas em todo o mundo, incluindo quatro na Arábia Saudita que escreveram sobre os direitos das mulheres. O crescimento no número total de jornalistas presos na China este ano é resultado, em parte, da perseguição de Pequim à minoria étnica Uigur.

"O terrível ataque global contra jornalistas que se intensificou nos últimos anos não mostra sinais de diminuir. É inaceitável que 251 jornalistas estejam presos em todo o mundo apenas por cobrir as notícias", disse o diretor executivo do CPJ, Joel Simon. "O custo mais amplo está sendo suportado por todos aqueles que se importam com o fluxo de notícias e informações. Os tiranos que usam a prisão para infligir a censura não podem ficar impunes."

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