Beth Saad, da ECA-USP, e Márcia Menezes, do portal G1, durante o encontro Beth Saad, da ECA-USP, e Márcia Menezes, do portal G1, durante o encontro

Seminário da ANJ e ANER detalha desafios de jornais e revistas no meio digital em 2019

Combate à desinformação, engajamento mais eficaz de audiência e melhor distribuição de conteúdo online. Esses foram os principais temas debatidos nesta quarta-feira (12) no seminário Tendências e Perspectivas para o Jornalismo Digital em 2019, realizado em São Paulo e promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). “Ficou claro, mais uma vez, que o caminho digital é essencial para a sustentabilidade dos jornais e revistas”, avaliou o diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira.

O jornalismo voltado para verificação de fatos, em especial nas eleições deste ano, foi abordado em dois painéis. No primeiro deles, Sérgio Lüdtke, editor do Projeto Comprova, formado para combater notícias falsas no período eleitoral, relatou que 67 mil pessoas enviaram pedidos de checagem, com um total de mais de 100 mil solicitações, informou a Folha de S.Paulo. O projeto, coalizão de 24 organizações brasileiras de mídia, somou 12 semanas de esforço conjunto de fact-checking.

Lüdtke alertou para o fato de que "muito da desinformação compartilhada em redes sociais tinha origem em sites travestidos" de jornalismo profissional. Os conteúdos dessas páginas, disse, eram distribuídos via redes de páginas e perfis, gerando audiência e publicidade para os produtores de conteúdo falso.

Outra conclusão destacada pelo jornalista foi o "muito mais difícil" monitoramento da desinformação compartilhada por WhatsApp, do Facebook, devido à criptografia que impede o mapeamento dos conteúdos. "Ainda assim, monitoramos 35 grupos abertos", relatou Lüdtke, que não deixou de alertar sobre o problema de desinformação no Facebook e, também, na rede social de vídeos YouTube, informou o site Propmark.

No mesmo painel, Beth Saad, professora da ECA-USP, falou sobre estudo que finaliza sobre o tema, com dados como o salto do WhatsApp no país, de 170% em três anos. "Daí a importância que ganhou na eleição", disse ela, conforme relatou a Folha de S.Paulo. Márcia Menezes, diretora de conteúdo do portal G1, relatou a experiência do Grupo Globo com um projeto separado, que mais tarde se uniu ao Comprova. Envolvendo 70 profissionais de todo o país, checou, além de fake news, os próprios discursos dos candidatos.

Posteriormente, Claudia Gurfinkel, responsável por parcerias de jornalismo na América Latina do Facebook, abordou os principais esforços realizados no ano eleitoral – como treinar jornalistas nas ferramentas da plataforma e o lançamento do programa de checagem em parceria com agências de verificação. No painel final, o Google detalhou ferramentas e iniciativas de parceria com o jornalismo. Entre elas, os programas Assine com o Google, lançado neste ano para publicações com paywall, e o YouTube Player for Publishers, a ser implementado no segundo trimestre do ano que vem.

“É muito estimulante que a ANJ e a ANER tenham feito juntas esse evento, pois os desafios de jornais e revistas são muito parecidos. A intenção das duas associações é a de promover novos encontros em conjunto sobre o meio digital, tema fundamental para as empresas de jornalismo”, anunciou Pedreira, da ANJ.

Leia mais em:

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/12/projeto-contra-noticias-falsas-nas-eleicoes-supera-100-mil-denuncias.shtml

http://propmark.com.br/mercado/combate-as-fake-news-e-destaque-em-evento-da-anj