Projeto reúne artigos sobre os desafios do jornalismo em 2019 Reprodução

Projeto reúne artigos sobre os desafios do jornalismo em 2019

Como fazer para que as pessoas continuem crendo no trabalho da imprensa e na sua importância para a democracia? Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do jornalismo e apontar para os rumos da profissão em 2019, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Farol Jornalismo convidaram dez autores para responderem a pergunta. O especial "O jornalismo no Brasil em 2019", dentro de uma parceria que se repete pelo terceiro ano consecutivo, reúne artigos sobre temas como colaboração, diversidade e reencontro com a audiência e está disponível gratuitamente no Medium e pode ser acessado em jornalismonobrasilem2019.com.

Há muitos desafios a serem enfrentados, afirmam Abraji e Farol, mas o futuro aponta para a colaboração, como se viu em iniciativas como o Projeto Comprova, coalizão de 24 veículos formada para verificar notícias sem autoria referente às eleições de 2018. No entanto, o editor do Comprova, Sérgio Lüdtke, diz que não basta apenas produzir conteúdo de qualidade: será preciso fiscalizar políticas públicas e ativistas digitais de maneira aberta e transparente. A pesquisadora Rosane Borges também aposta na transparência para o desafio imposto pela desintermediação.

Entre os artigos reunidos no estudo, está o da jornalista e pesquisadora Sílvia Lisboa, que afirma: não basta um veículo dizer que tem credibilidade; é preciso que a audiência perceba e aceite essa credibilidade. Esse novo contrato com a sociedade passa por um esforço maior de conhecer o público. Segundo a pesquisadora Cláudia Nonato, é necessário compreender o que espera parte da população brasileira que votou no presidente eleito Jair Bolsonaro.

A jornalista e pesquisadora Taís Seibt, por sua vez, sugere a adoção de formatos que conversem melhor com os ambientes nos quais o brasileiro costuma se informar, o que inclui as redes sociais e o WhatsApp. A diversidade é outro caminho apontado para o jornalismo no Brasil no próximo ano, como forma de garantir a pluralidade na cobertura. O pesquisador Gean Gonçalves sinaliza a possibilidade de as redações adotarem editores de gênero, seguindo o exemplo de El País e New York Times.

O jornalismo local e o praticado na região amazônica também foram temas abordados pelo projeto. Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab e coordenador do projeto Atlas da Notícia, que mapeou os desertos de notícias no Brasil em 2018, escreveu que, em todo o país, o jornalismo local sofre com modelos de negócio quebrados que inviabilizam a inovação. Já a jornalista Elaíze Farias chama a atenção para as dificuldades de fazer uma cobertura na região norte que deixe de lado estereótipos e abrace a complexidade local.

Patrícia Gomes, diretora de produtos no JOTA, defende que olhar para os dados gerados pelos usuários e adaptar os produtos jornalísticos ao comportamento de quem os consome pode ser uma das saídas para restabelecer a relação de confiança. Já Guilherme Amado, repórter de O Globo e da Época, aponta para um reencontro do jornalismo com seu público como forma de devolver-lhe a credibilidade.

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http://abraji.org.br/projeto-jornalismo-no-brasil-aponta-para-2019-com-baixa-de-credibilidade-e-funcao-mediadora-em-xeque