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SIP condena invasão do regime Ortega a jornal de oposição na Nicarágua Reprodução

SIP condena invasão do regime Ortega a jornal de oposição na Nicarágua

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou e considerou a invasão da sede do jornal digital El Confidencial, da Nicarágua, como um grave atentado à liberdade de expressão. Na última sexta-feira (14), policiais levaram computadores, documentos pessoais e câmeras dos profissionais. Também fecharam o local e impediram a entrada de jornalistas, que não puderam fechar a edição impressa do diário, que sai aos domingos, nem gravar os programas de TV Esta Noche e Esta Semana.

“Trata-se de uma grave violação e outra descarada ação de violência contra os meios de comunicação que de forma valente informam e expõem aos cidadãos o verdadeiro rosto de um regime sem tolerância e democracia”, disse a presidente da SIP, María Elvira Domínguez. O ataque ao Confidencial não foi único. Ainda na madrugada de sexta-feira passada houve invasões a sedes de movimentos sociais do país, como o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos. Há poucas semanas, Miguel Mora, diretor do 100% Notícias, outro meio de comunicação crítico ao governo, foi preso.

O jornal El Confidencial é dirigido pelo filho da ex-presidente Violeta Chamorro, Carlos Fernando Chamorro, e de oposição ao governo Ortega. O jornalista, entretanto, já foi diretor do jornal oficial do sandinismo e aliado do atual presidente da Nicarágua. Chamorro fundou o El Confidencial em julho de 1996, quando o país se preparava para as primeiras eleições de sua transição, em que Violeta Chamorro, entregaria o poder democraticamente a um novo presidente.

Seis anos antes, ela tinha conseguido o que parecia impossível: derrotar Daniel Ortega e a Frente Sandinista em eleições históricas e supervigiadas, que marcaram o início de uma transição difícil e dolorosa na Nicarágua, mas também o fim da guerra civil que tinha deixado dezenas de milhares de mortos. O país viveu em plena liberdade pela primeira vez em sua história e um novo jornalismo emergiu daquela primavera libertária, dedicado a supervisionar o poder público e privado.

Com El Confidencial, Carlos Fernando Chamorro também abriu uma nova etapa em sua vida. Durante sua juventude, ele havia apoiado abertamente a luta clandestina da Frente Sandinista de Libertação Nacional para derrubar a ditadura de Somoza. Essa ditadura assassinou o seu pai, Pedro Joaquín Chamorro, em 1978. Chamorro foi editor do La Prensa, então o jornal mais importante na Nicarágua, e em seus editoriais denunciava os abusos da ditadura. Seu assassinato marcou o início do fim da dinastia que governou o país centro-americano com mão forte por 47 anos.

Leia mais em:
https://www.sipiapa.org/notas/1212924-condena-graves-agresiones-la-libertad-expresion-nicaragua
https://oglobo.globo.com/mundo/quem-o-jornalista-que-incomoda-regime-de-daniel-ortega-na-nicaragua-23310653