Imprimir esta página
Ano encerra com quase o dobro de jornalistas assassinados em represália por seu trabalho, diz CPJ Reprodução/CPJ

Ano encerra com quase o dobro de jornalistas assassinados em represália por seu trabalho, diz CPJ

Com 34 jornalistas assassinados em represália por seu trabalho, quase o dobro dos 18 registrados no ano passado, 2018 termina como o mais mortífero dos últimos três anos para comunicadores em todo o mundo. Os dados são do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) que, ao todo, registra a morte de 53 jornalistas no exercício profissional entre 1º de janeiro e 14 de dezembro – o primeiro aumento depois de dois anos de queda.

A escalada nos homicídios, alerta o CPJ, ocorre quando a prisão de jornalistas atinge uma alta sustentada, somando-se à atual crise global de liberdade de imprensa. Em meio aos perigos físicos para os jornalistas, muitos líderes mundiais estão ecoando a retórica contra a imprensa, diz a organização. Nesse cenário, outro estudo do CPJ mostra que o número de jornalistas presos por exercer sua atividade chegou a 251 em 2018, no terceiro ano seguido em que o número supera a marca de 250.

O Afeganistão foi o país mais letal para jornalistas: foram 13 mortos. Em 2017, haviam sido registrados quatro casos. No Brasil, dois jornalistas aparecem na lista deste ano do CPJ. Jairo Sousa, da Rádio Pérola, foi assassinado em junho em Bragança, Pará. O outro brasileiro é Jefferson Pureza Lopes, da rádio Beira Rio FM, assassinado em Goiás em janeiro.

"O homicídio é uma forma brutal de censura que está interrompendo o fluxo de informações", disse o diretor executivo do CPJ, Joel Simon. "As pessoas ao redor do mundo estão cada vez mais cientes do que está em jogo. Os líderes políticos devem defender, denunciar e fazer justiça em nome dos jornalistas que deram suas vidas para nos trazer as notícias."

O CPJ lembra ainda o caso do saudita Jamal Khashoggi, colunista do jornal The Washington Post assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul em outubro por agentes do reino árabe. O jornalista era crítico do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, acusado pela CIA (agência central de inteligência americana) de ordenar o assassinato do repórter.

A organização critica o posicionamento do presidente Donald Trump, que deu declarações dizendo que "talvez [Salman] tenha, talvez não tenha" ordenado a morte. Ironicamente, lembra o comitê, a voz mais crítica no caso tem sido a do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, "cujo governo efetivamente encerrou a mídia independente e está prendendo mais jornalistas do que qualquer outro ao redor do mundo pelo terceiro ano seguido."

O banco de dados do CPJ de jornalistas mortos em 2018 inclui breves informações sobre cada vítima e filtros para examinar as tendências nos dados. O CPJ começou a compilar registros detalhados de todas as mortes de jornalistas em 1992. O CPJ considera um caso relacionado ao exercício do jornalismo apenas quando sua equipe tem razoável certeza de que um jornalista foi morto em represália direta por seu trabalho; em fogo cruzado relacionado a combate; ou durante a cobertura de uma pauta perigosa.

Acesse aqui o relatório completo.

Leia mais em:

https://cpj.org/pt/2018/12/numero-de-jornalistas-assassinados-em-represalia-p.php#more

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/12/jornalistas-assassinados-chegam-a-34-no-ano.shtml