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Trump proferiu 15 falsidades por dia em 2018 e perdeu credibilidade entre os norte-americanos, dizem pesquisas Reprodução/ABC News

Trump proferiu 15 falsidades por dia em 2018 e perdeu credibilidade entre os norte-americanos, dizem pesquisas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou 2018 dando sinais de que pretende seguir a estratégia que aplica desde a eleição, em 2016, de espalhar falsidades com o objetivo de desqualificar críticos, adversários políticos e a imprensa, enquanto faz propaganda positiva de seu governo. Até 31 de dezembro, o banco de dados das declarações falsas do mandatário (todas checadas) mantido por um pool de agências de verificação de fatos acumulava 7,6 mil inverdades desde o começo da atual gestão da Casa Branca – quase 15 em cada um dos 365 dias do ano passado. Novas pesquisas mostram, entretanto, que a retórica sem compromisso com a verdade está em descrédito e, portanto, menos eficaz.

Estudo feito em dezembro de 2018 pelos verificadores de fato que trabalham diretamente com as oratórias do presidente norte-americano revela que menos de três em cada dez norte-americanos acreditam em muitas das declarações falsas mais comuns de Trump. A balança pende para o lado do presidente apenas entre o grupo de seus “fortes apoiadores” (apenas um em cada seis adultos participantes da pesquisa). Neste agrupamento de engajados, a maioria aceita várias inverdades de Trump, embora reconheçam que algumas das declarações são falsas.

Outra pesquisa, da Universidade Quinnipiac, feita em novembro passado, revela que 58% dos eleitores disseram que Trump não é honesto, em comparação com apenas 36% que disseram o contrário. O estudo indica ainda que 50% dos entrevistados acreditam que Trump é "menos honesto" do que a maioria dos presidentes anteriores. "Quando vimos um presidente tão indiferente à distinção entre verdade e falsidade, ou tão ansioso para desfazer essa distinção?", questiona o historiador Michael R. Beschloss, lembra Glenn Kessler, do The Washington Post.

Beschloss, conta o jornalista, observa que a Constituição dos Estados Unidos estabeleceu muito poucas diretrizes a esse respeito, porque a expectativa era de que o primeiro presidente seria George Washington e ele daria o tom para o cargo. “O que as crianças em idade escolar aprendem sobre George Washington? Que ele nunca contou uma mentira”, diz o historiador. "Essa é uma expectativa fundamental que os norte-americanos têm de um presidente".

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