Pilar da democracia, liberdade de imprensa está no centro da eleição do Parlamento Europeu deste ano, diz editora da DW Reprodução

Pilar da democracia, liberdade de imprensa está no centro da eleição do Parlamento Europeu deste ano, diz editora da DW

A poucos meses da eleição do novo Parlamento Europeu, em maio deste ano, a defesa à liberdade de imprensa precisa ser defendida como nunca, sustenta a editora-chefe da agência de notícias Deutsche Welle, Ines Pohl, em artigo publicado nesta segunda-feira (7). A jornalista diz que a União Europeia (UE) tem de tratar com mais rigor países que restringem a livre expressão. Ao mesmo tempo, empresas de comunicação e jornalistas estão desafiados a expor as restrições a seus trabalhos e, também, atuar de forma ainda mais criteriosa para contribuir com um período eleitoral “realmente democrático”.     

A UE, afirma Ines, precisa se perguntar como pretende lidar com países-membros que restringem cada vez mais a liberdade de imprensa, em que as leis são modificadas nesse sentido, juristas críticos são demitidos e opositores do regime, neutralizados. “Em futuras negociações para filiação à UE, a livre imprensa deve passar a ser um quesito inegociável: é a falta de rigor com os novos membros, nos últimos anos, que se faz sentir agora de forma tão amarga”, diz.

A jornalista destaca que em países como Polônia, Hungria ou Romênia as circunstâncias se agravam rapidamente. “A situação de blogueiros e jornalistas cidadãos – muitas vezes uma das poucas fontes de informações independentes – se torna cada vez pior, com potencial francamente fatal: 13 deles foram mortos em 2018, em todo o mundo, quase o dobro de 2017”.

Ataque à credibilidade jornalística

A editora-chefe da Deutsche Welle ressalta ainda que a violência direta contra jornalistas não é a única ameaça. “Políticos como Donald Trump ou Vladimir Putin reconheceram onde o jornalismo é mais vulnerável: em seu bem mais alto, a credibilidade. Quando o presidente americano ataca a mídia como ‘fake news’, não é apenas para desviar a atenção de suas próprias mentiras: trata-se de uma estratégia de longo termo para minar a credibilidade de seus críticos mais perigosos, enfraquecendo, assim, quem se ocupa de expor as falcatruas dele e seu contexto”.

Ines defende uma resistência em pelo menos duas frentes. “Em primeiro lugar, que não podemos deixar de noticiar sobre a repressão de jornalistas, de exigir a libertação de colegas presos e de denunciar os dirigentes que tentem coibir a livre expressão de opinião”, diz. “Isso significa que devemos instar nossos próprios governos e partidos de oposição a se engajarem justamente nisso, por vias diplomáticas mas, se necessário, também através de ações concretas”.

Por outro lado, enfatiza a jornalista, cabe aos próprios jornalistas e editoras de mídia investigar com cuidado ainda maior, questionar também os colegas de modo ainda mais crítico e expor os erros sem qualquer restrição. “Cada má conduta involuntária, cada exagero sem provas, cada caracterização unilateral faz o jogo de quem quer impedir as cidadãs e cidadãos de estarem bem informados ao ponto de formar uma opinião própria e independente. Mas essa é a pré-condição para que, no fim das contas, eleições sejam realmente democráticas”.

Leia mais em:

https://www.dw.com/pt-br/opini%C3%A3o-liberdade-de-imprensa-pilar-de-toda-democracia/a-46985755

http://www.europarl.europa.eu/news/pt/press-room/elections-press-kit