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Uso de redes sociais por grupos antidemocráticos continuará em 2019, diz Frederic Filloux Reprodução

Uso de redes sociais por grupos antidemocráticos continuará em 2019, diz Frederic Filloux

Movimentos nacionalistas e populistas crescem em diversas regiões do mundo amparados pela máquina permissiva das redes sociais, em especial o Facebook (e seu WhatsApp), colocando em risco democracias, diz Frederic Filloux, editor do site Monday Note. “Uma dúzia de países já sofreu com a toxicidade da plataforma para o processo democrático: Donald Trump não estaria aqui sem seu astuto uso do Facebook, nem Jair Bolsonaro no Brasil, que construiu sua campanha no WhatsApp. Sem mencionar os países onde a rede social foi utilizada como arma contra um grupo étnico ou político específico”, afirma. Em 2019, lamenta o jornalista, o cenário deve ser o mesmo e, infelizmente, não será possível esperar que o jornalismo consiga debelar o avanço do autoritarismo.

Em artigo publicado no último domingo (6) Filloux volta a analisar o movimento dos “coletes amarelos”, na França, que dá clara dimensão de como as mídias sociais podem ser armadas pelos grupos antidemocráticos. Nos protestos franceses, afirma o jornalista, o Facebook é usado como uma plataforma de coordenação e um dispositivo de multiplicação. “Também dá a ilusão do vetor perfeito para a democracia direta, onde todas as ideias podem ter um alcance igual, a desinformação se propaga mais rápido que as notícias legítimas e onde qualquer um pode ser desmoralizado”. Algo semelhante ocorreu nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Brasil e em outros países, principalmente em períodos eleitorais.

Fechados para o mundo

Mesmo assim, o Facebook reage agarrado à tese segundo a qual não pode ser responsabilizado pelo sequestro de sua plataforma. Os executivos da empresa, lideras pelo CEO Mark Zuckerberg, permanecem longe da realidade, tomando decisões em seus escritórios no Vale do Silício. “Embora a empresa consulte grupos externos, as regras são estabelecidas em grande parte por jovens advogados e engenheiros, a maioria dos quais não tem experiência no assunto”, diz Filloux. Até aqui, afirma o jornalista, o único incentivo para que a empresa se mexa parece ser o medo do dano causado pela crise de relações públicas.    

O Facebook, claro, não está sozinho na produção de aberrações. Para explicar, Filloux recorre ao que a jornalista especializada em tecnologia Kara Swisher escreveu recentemente no jornal The New York Times: “A assustadora notícia do Vale do Silício vai além de uma empresa [Facebook]. Os líderes de tecnologia tornaram as telas tão viciantes que não permitem que seus próprios filhos as usem; eles operam em uma monocultura que reflete apenas a si mesma e fecha os olhos para o assédio sexual e a diversidade; aceitam dinheiro sujo de investidores desagradáveis”.

As limitações impostas ao jornalismo

Em contrapartida, diz o editor do site Monday Note, será muito difícil contar com o socorro do jornalismo em 2019. “A receita continuará a cair. Paywalls mostrarão suas limitações, pois ninguém pode esperar que os leitores paguem por mais de três assinaturas”, projeta. Facebook e Google, continua o jornalista, permanecerão com a grande fatia da publicidade digital, provavelmente ganhando a parceria de outras gigantes online como Amazon e até mesmo o Uber.

“O resultado será uma menor capacidade das redações de realizar seus trabalhos, precisamente em um momento em que o ofício jornalístico real é fundamentalmente necessário para defender a democracia, nada menos”, lamenta Filloux.

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https://mondaynote.com/dark-forces-at-play-in-2019-ee83bc455d8e