É hora de desvendar o jornalismo para conquistar a confiança do público, diz editora-chefe da CNN digital Reprodução/CNN

É hora de desvendar o jornalismo para conquistar a confiança do público, diz editora-chefe da CNN digital

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ataca com violenta retórica – “inimigos do povo”, “fake news”, entre outras – a imprensa dos Estados Unidos desde a campanha eleitoral de 2016. O objetivo do mandatário, assim como de outros governantes, é desqualificar aqueles que podem noticiar as falhas de sua administração e fortalecer a propaganda governista. Sob ataque, jornalistas e organizações noticiosas têm reagido, mas de forma ainda insuficiente, segundo a editora-chefe da área digital da emissora de TV a cabo CNN, Meredith Artley. É preciso fazer mais, afirmou, e conquistar a confiança do público com transparência e a demonstração de como funciona e o quão útil é o jornalismo.     

"Em 2019, devemos ir além das campanhas de marketing de 'Facts First' e 'Democracy Dies in Darkness' e tudo isso", disse Meredith em entrevista à Kara Swisher, no podcast Recode Decode. "Isso é ótimo. É muito bom”, reconheceu. “[Mas] Precisamos ir mais longe agora. Precisamos realmente melhorar mostrando nosso trabalho. Acelerar os esforços para sermos transparentes sobre quando fazemos as coisas erradas ou quando mudamos as coisas e por que fizemos isso”, enfatizou. Meredith disse também que há muito do processo jornalístico que o público não entende, e isso precisa ficar claro para as pessoas, principalmente em meio a uma crise de credibilidade de todas as instituições. “Acho que isso aumentará a confiança.”

Em 2018, a CNN estava no grupo de pessoas e instituições consideradas críticas a Trump que foram alvo de pacotes-bomba. Meredith relembrou alguns dos depoimentos de colegas em meio a uma situação de terror e como isso fortaleceu nela a certeza que a experiência “sublinhava por que é tão importante fazermos bem o nosso trabalho”. A CNN e outros meios de comunicação, insistiu, precisam fazer mais para desfazer a percepção de que eles são “inimigos do povo”, mostrando como fazem jornalismo, por meio de todos os dispositivos existentes hoje – a maior parte digital – para a distribuição de notícias.

O movimento passa necessariamente por ajustes. Isso já ocorreu na CNN.com, que costumava se apressar para cobrir todos os tweets do presidente, disse Meredith, acreditando que eles sejam automaticamente dignos de notícia. Agora, contou, a área está tentando desacelerar e fazer menos “jornalismo de estenografia”.

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