Brasileiros estão entre os que menos confiam na capacidade do governo de impedir ciberataques, inclusive em eleições, diz pesquisa mundial Reprodução/Pew Research Center

Brasileiros estão entre os que menos confiam na capacidade do governo de impedir ciberataques, inclusive em eleições, diz pesquisa mundial

Estudo global cuja coleta de dados foi feita antes da eleição de 2018 no Brasil, marcada pela desinformação nas redes sociais, mostra que a população brasileira (78%) está entre as que menos confia na capacidade de seu governo de conter ameaças virtuais, como a manipulação de ciberataques em disputas eleitorais. O índice é pior apenas na Argentina (81%). A nova pesquisa, feita pelo Pew Research Center em 26 países, revela ainda que seis em cada dez brasileiros (60%) acreditam em ataques de hackers nas eleições.

A pesquisa, que entrevistou mais de 27 mil pessoas entre maio e agosto de 2018, indica que à medida que o ritmo e a magnitude dos ataques cibernéticos aumentaram em todo o mundo, as populações passaram a crer em maior probabilidade de ataques virtuais a dados do governo, infraestrutura pública e, principalmente, eleições. Globalmente, 61% dos entrevistados disseram acreditar que hackers podem manipular disputas eleitorais em seus países.

O levantamento mostra que, na média mundial, 47% confiam na capacidade de seus governos conterem ciberataques e o mesmo percentual desconfia, sendo que russos (67%) e israelenses (73%) são os que mais têm a confiança da população para conter esse tipo de invasão. A confiança no poder público, diz a pesquisa, tem correlação com o partidarismo o apoio que o entrevistado dá ao governo local, informou a Folha de S.Paulo. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, 61% eleitores do Partido Republicano – partido do presidente Donald Trump – acreditam que o governo esteja pronto para enfrentar a questão, contra 47% entre quem apoia os democratas. O padrão se repetiu em todos os dez países em que houve a divisão entre governistas e opositores. A Rússia também é um dos países que menos acredita na capacidade de hackers e ataques virtuais manipularem as eleições: 44% da população apoia esta hipótese, número superior apenas ao da França (41%).

Segurança nacional e infraestrutura

Além da influência nas votações, os pesquisadores também perguntaram qual a possibilidade de ciberataques interferirem em outras áreas e encontraram ainda mais desconfiança do público. Na média mundial, 74% dos entrevistados acreditam que este tipo de ação pode levar ao vazamento de informações sensíveis de segurança nacional, enquanto 69% acha que eles podem ainda prejudicar a infraestrutura do país. Nos dois casos, relata a Folha de S.Paulo, o Brasil fica abaixo da média, apesar de também ter altos números, com respectivamente 62% e 58%.

Em todos os países, ao menos metade da população acredita na ameaça dos ciberataques, sendo que os mais preocupados são os sul-coreanos, os japoneses, os americanos, os espanhóis e os holandeses. Do outro lado, italianos e húngaros são os que menos acreditam na ameaça a segurança nacional e a infraestrutura.

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https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/01/para-61-da-populacao-mundial-ciberataques-vao-interferir-em-eleicoes.shtml

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