Blockchain avança lentamente na mídia, mas tem papel importante na preparação das redações para mais mudanças digitais, diz estudo Reprodução

Blockchain avança lentamente na mídia, mas tem papel importante na preparação das redações para mais mudanças digitais, diz estudo

O uso da tecnologia blockchain na mídia tem sido visto desde meados do ano passado como uma solução para organizar as novas rotinas das redações e dos negócios das empresas jornalísticas que se tornaram digitais de forma muito acelerada. A expectativa é a de que essa tecnologia possa, entre outros benefícios, melhorar índices de monetização e confiança; garantir a integridade de conteúdo (evitando censura); incentivar a participação do público; e proporcionar mais proteção aos direitos autorais. Novo estudo publicado esta semana pela London School of Economics and Political Science (LSE) revela, entretanto, que o avanço do blockchain é mais lento do que esperado. Porém, deverá ser muito útil no longo prazo, como parte de um processo maior de descentralização da internet, conhecido como Web3.0.

Isso não significa que devemos nos apressar em dispensar o blockchain, muito pelo contrário, diz o autor do estudo, Mattias Erkkilä, editor-chefe da emissora pública finlandesa Yle que passou o mês de outubro de 2018 cursando uma bolsa de pesquisa na think-tank Polis, do departamento de mídia e comunicação da LSE. “Minha recomendação mais forte é que você conheça o movimento blockchain e o que está acontecendo de forma geral em torno da Web3.0, que interessa a qualquer empresa de mídia que esteja lutando no ambiente online atual, dominado por um punhado de gigantes da internet”, diz.

Ao mesmo tempo, ele defende que os jornalistas devem procurar realizar todas as coisas que as start-ups de blockchain estão tentando fazer, como criar conteúdo verificado e confiável, abrindo históricos de edição e fazendo da criação compartilhada com o público, uma parte natural e necessária do trabalho jornalístico. “Isso deve ser feito imediatamente, com ou sem blockchain”.

O relatório de Erkkilä cita a Civil, uma startup de mídia, que deve ser lançada oficialmente em fevereiro. A empresa não teve sucesso em recente venda simbólica de tokens para captação de recursos. A Civil afirma que 18 redações estão associadas à organização, entre elas Forbes e Associated Press (AP), por exemplo.

Durante sua pesquisa, Erkkilä constatou que muitas startups estão usando blockchain de forma limitada, e boa parte delas mais próximas das empresas de infraestrutura de mídia, construindo software para navegadores ou uma plataforma de mídia social. Mas pesquisador dedicou a maior parte do seus tempo no estudo das ideias ou projetos que poderiam ter consequências diretas sobre como é entendido e feito o jornalismo nas redações.

Nessa categoria, afirma, a aplicação mais comum para blockchain é salvar metadados de conteúdo. “Isso cria um registro aberto e imutável de origem de conteúdo, tempo de publicação e histórico de edição que podem ser usados para combater conteúdo que falsamente afirmam ter origem em uma determinada fonte”, afirma. Registros de metadados distribuídos abertamente também podem contribuir para a confiabilidade do conteúdo e até mesmo para uma compreensão mais ampla do processo jornalístico, destacou, Erkkilä.

Outra característica comum dos serviços que as startups estão construindo, segundo o relatório, é a participação do usuário associada à produção de conteúdo profissional. “Blockchain pode ser usado para gerenciamento de identidade, registro de eventos e gerenciamento contratual”, diz. O terceiro principal benefício esperado do blockchain, relata Erkkilä, é permitir um modelo de financiamento mais fácil para empresas e jornalistas. O caso de uso mais bem-sucedido para o blockchain é, obviamente, afirma, a criptomoeda, que estimula ideias sobre a criação de criptoconomias locais para apoiar a produção jornalística.

Erkkilä conclui que, além das questões tecnológicas, parece haver no movimento blockchain um ponto de vista filosófico mais amplo que enfatiza a descentralização, a democracia e a importância do jornalismo para a sociedade. Conceitos que devem ser fortalecidos na trilha rumo a Web3.0.

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http://blogs.lse.ac.uk/polis/2019/01/15/new-report-why-media-companies-should-care-about-blockchain/