Jornalista James Foley, dos Estados Unidos, assassinado pelo Estado Islâmico Jornalista James Foley, dos Estados Unidos, assassinado pelo Estado Islâmico Reprodução/HBO

Política de sequestros dos EUA eleva os riscos enfrentados por jornalistas que cobrem o terrorismo, critica diretor do CPJ

Os jornalistas vivem um dos períodos mais violentos contra a imprensa em todo o mundo. Em geral, o perigo é maior nas coberturas de regiões em conflito, em especial as que envolvem terrorismo. É nesse cenário que o diretor executivo do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Joel Simon, critica em seu mais recente livro a política aplicada pelos Estados Unidos, segundo a qual pagar a sequestradores para libertar reféns fortalece o extremismo. "Ninguém deveria morrer por uma política que não funciona", diz Simon na obra “QUEREMOS NEGOCIAR: O mundo secreto do sequestro,os reféns e os resgate".

O autor argumenta, entre outras coisas, que não há nenhuma evidência de que a recusa ao pagamento de resgate reduz o risco de futuros sequestros. Além disso, afirma, na era de decapitações filmadas e transmitidas pela internet, pagar um resgate poderia ajudar na melhora das seguranças nacionais uma vez que limitaria a propaganda do horror com o sacrifício de vítimas.

Simon afirma que a política dos Estados Unidos é falha, os reféns não podem ser libertados vivos, e nenhum apoio ou orientação é dado às famílias, que devem levantar o dinheiro por conta própria. "Negociar com um grupo terrorista, mesmo quando há uma vida em jogo, nunca é uma decisão simples", escreve Simon. "Há implicações morais e políticas de grande magnitude, particularmente para os governos, mas seja qual for a decisão, ela deve se basear em uma consideração objetiva dos fatos.”

O diretor executivo da CPJ participou, em 2014, das tratativas para libertar os jornalistas John Cantlie, do Reino Unido, e James Foley, dos Estados Unidos, capturados por militantes jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) junto com outras pessoas de diferentes nacionalidades. Vários governos europeus pagaram milhões em resgate e seus reféns foram liberados. Mas o Reino Unido os Estados Unidos se negaram a fazer o pagamento, argumentando que qualquer resgate seria utilizado para alimentar o terrorismo. Todos os reféns norte-americanos e britânicos foram executados.

A análise de Simon é global, mas se concentra principalmente na França, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, países com diferentes posições sobre sequestros. O autor conta, por exemplo, a história de um general espanhol de grande êxito em negociações que terminaram com a liberação dos reféns, mesmo sem pagamento aos sequestradores. Ele aborda ainda a próspera indústria criada por companhias britânicas de seguros para casos de sequestro e resgate.

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