Repressão de Ortega obriga diretor do El Confidencial a deixar a Nicarágua Reprodução

Repressão de Ortega obriga diretor do El Confidencial a deixar a Nicarágua

O jornalista nicaraguense Carlos Fernando Chamorro, diretor do jornal El Confidencial e apresentador do programa Esta Semana, anunciou neste domingo (20) que se exilou na Costa Rica para proteger sua integridade física e sua liberdade diante da repressão imposta pelo governo de Daniel Ortega. Há um pouco mais de um mês, a sede da redação comandada por Chamorro, que era sandinista e apoiador de Ortega no passado e é filho da ex-presidente Violeta Chamorro, foi invadida pela polícia. Os policiais confiscaram computadores, papéis e objetos pessoais de repórteres. Desde então, o jornalista vem sofrendo ameaças cada vez mais frequentes.

"Estão criminalizando o jornalismo", disse Chamorro, enquanto se despedia da Nicarágua no programa Esta Semana, informaram a Folha de S.Paulo e o El País. “Recorremos a todos os mecanismos legais, à denúncia de roubo ao Ministério Público e a recurso na Suprema Corte de Justiça para que ordene o fim da ocupação da nossa redação”, continuou. Além de não conseguir resposta positiva a seus pedidos, o jornalista passou a ser ainda mais perseguido. “Diante dessas ameaças extremas, tive de tomar a dolorosa decisão de sair ao exílio, sobre tudo para poder seguir exercendo o jornalismo independente”.  

Chamorro, segundo a Folha de S.Paulo, continuará à frente dos meios que dirige, porém desde a Costa Rica, para onde viajou com a mulher, Desiré Elizondo, também editora de revistas do mesmo grupo. O jornalista afirmou que provavelmente deve haver cortes no tamanho das publicações e no orçamento dos programas de TV, mas que "a resistência continuará".

Desde meados de outubro do ano passado, o governo Ortega aumentou a repressão à imprensa independente da Nicarágua. Há mais de um mês, estão presos sem acusação os jornalistas Miguel Mora e Lucía Pineda Ubau, que dirigem o canal 100% Notícias, tirado do ar por fazer críticas a Ortega. Além disso, estão sendo confiscados papel e recursos de outros jornais do país, como o El Nuevo Diario, La Prensa e Metro.

A escalada de autoritarismo do governo Ortega começou em abril, com levantamentos e atos nas ruas contra o corte de pensões que foram reprimidos de forma violenta. A estimativa de mortos é de mais de 300, enquanto 500 estão presos, segundo estimativa Centro Nicaraguense de Direitos Humanos.

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https://elpais.com/internacional/2019/01/21/america/1548041576_165557.html

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/01/ditadura-obriga-principal-jornalista-da-nicaragua-a-deixar-pais.shtml