UE, países latino-americanos e entidades internacionais exigem fim da perseguição à imprensa na Venezuela Reprodução/Folha de S.Paulo/AFP

UE, países latino-americanos e entidades internacionais exigem fim da perseguição à imprensa na Venezuela

Diante da maior intensidade na perseguição a jornalistas na Venezuela verificada nos últimos dias, entidades ligadas à liberdade de imprensa, governos e grupo de defesa aos direitos humanos manifestaram indignação com a repressão imposta pelo presidente Nicolás Maduro. Na terça-feira (29), a ação Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou em um comunicado "atos de violência das forças de ordem contra jornalistas" locais e estrangeiros que cobrem a onda de protestos da oposição vivida no país desde 21 de janeiro.

Ao mesmo tempo, União Europeia (UE) e os governos da Espanha e da Colômbia exigiram nesta quinta-feira (31) a libertação imediata de jornalistas de diferentes nacionalidades que foram presos na Venezuela. Entre eles, estão dois franceses, dois colombianos e um espanhol.

Vários jornalistas estrangeiros foram presos ou deportados nos últimos anos por não terem permissão para trabalhar na Venezuela. A repressão aumentou nas últimas semanas. No fim de semana passado o repórter brasileiro Rodrigo Lopes, do jornal Zero Hora, do Grupo RBS, teve de deixar o país depois de ter sido retido, interrogado e ameaçado por duas horas. Na ocasião, a presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), María Elvira Domínguez, responsabilizou o governo "pela segurança dos jornalistas que tentam informar o público sobre a situação turbulenta pela qual a Venezuela está passando".

Na quarta-feira (30), dois jornalistas chilenos e dois venezuelanos foram detidos perto do Palácio de Miraflores, quando cobriam uma vigília em defesa de Maduro. Os venezuelanos foram liberados depois de 10 horas, e os chilenos foram deportados após 14 horas. No mesmo dia, os dois franceses (Pierre Caillet e Baptiste des Monstiers) foram presos perto do Palácio de Miraflores. À noite, foram detidos dois colombianos (Leonardo Muñoz e Maurén Barriga) e um espanhol (Gonzalo Domínguez Loeda), parte de uma equipe da agência EFE.

A Espacio Público documentou 15 violações à liberdade de expressão em todo o país em 23 de janeiro. Houve bloqueios em redes sociais e mecanismos de busca como o Google pelo principal provedor de internet do país, o Cantv; vários jornalistas que cobriam as manifestações foram agredidos por policiais e tiveram seus telefones celulares e equipamentos de trabalho confiscados. A organização também documentou naquele dia a retirada do ar do canal de Global TV, no estado de Zulia.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) exigiu que as autoridades venezuelanas parem o bloqueio dos veículos de jornalismo e assegurem o acesso à internet no país neste contexto de crise política nacional. Emmanuel Colombié, diretor da divisão latino-americana da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), alertou que a liberdade de imprensa está em perigo na Venezuela e que o governo de Maduro deve garantir a segurança dos jornalistas. "Neste período turbulento pelo qual o país está passando, mais do que nunca, a liberdade de informação é vital para todos os venezuelanos", acrescentou.

Reação de governos

A Alta Representante para a Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, declarou durante coletiva de imprensa em Bucareste, na Romênia: "Há um claro apelo da minha parte para a libertação imediata". m comunicado, o ministério das Relações Exteriores da Espanha criticou as autoridades venezuelanas: "O governo exige novamente das autoridades venezuelanas o respeito ao Estado de Direito, aos direitos humanos e às liberdades fundamentais, das quais a liberdade de imprensa é um elemento central", afirma o comunicado.

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, exigiu a libertação imediata dos três jornalistas da agência de notícias Efe. O chanceler chileno, Roberto Ampuero, classificou como "inexplicáveis” as 14 horas de prisão. “Isso é o que fazem as ditaduras: pisotear a liberdade da imprensa e amordaçar a liberdade com a violência”, declarou pelo Twitter.

Antes da deportação, enquanto ainda estavam detidos, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, pediu "a imediata libertação dos jornalistas" do canal público chileno TVN e criticou a falta de liberdade de imprensa na Venezuela. "Exigimos a imediata libertação dos jornalistas da 'TVN' detidos na Venezuela. Nossa Chancelaria está tomando todas as medidas necessárias. A liberdade de imprensa é outra das vítimas na Venezuela", escreveu Piñera no Twitter.

Leia mais em:
https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/01/perseguicao-a-imprensa-estrangeira-se-intensifica-na-venezuela.shtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/01/31/colombia-e-chile-exigem-liberdade-de-jornalistas-detidos-em-caracas.ghtml
https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-20557-venezuela-detem-e-expulsa-pelo-menos-cinco-jornalistas-estrangeiros-nas-ultimas-duas-s