Rod Sims, presidente da ACCC Rod Sims, presidente da ACCC / Reprodução

Regular Facebook e Google é necessário para salvar o jornalismo, diz órgão de concorrência da Austrália

Apesar do esforço das empresas jornalísticas da Austrália e dos bons resultados que parte dessas companhias vem obtendo com assinaturas digitais, mais de 1/4 dos empregos em jornais desapareceram no país, informou o jornal britânico The Guardian, em sua edição internacional. A receita de publicidade impressa secou e, para cada US$ 100 gastos em publicidade online, US$ 47 vão para o Google e outros US$ 21 acabam nos cofres do Facebook. Por isso, segundo o órgão de concorrência australiano (Australian Competition and Consumer Commission, ACCC), a produção de notícias e jornalismo não pode mais ser deixada inteiramente às forças do mercado, e a regulamentação é necessária para conter o poder do duopólio digital.

Rod Sims, presidente da ACCC, enfatizou que a regulação foi indicada pelo relatório preliminar do inquérito em andamento sobre plataformas digitais. O documento recomendou uma nova e poderosa autoridade para supervisionar as atividades comerciais do Google e do Facebook. O novo regulador teria a autoridade para investigar todos os aspectos dos negócios e subsidiárias das plataformas digitais e teria jurisdição sobre qualquer empresa de tecnologia que gerasse receita de US$ 100 milhões na Austrália.

“Virtualmente nenhuma regulamentação de mídia se aplica às plataformas digitais e isso contribui para a disparidade regulatória entre os setores que parece fornecer às plataformas digitais uma vantagem injusta na atração de gastos com publicidade porque operam com menos restrições e têm custos menores de conformidade regulatória” disse Sims.  Não há dúvida, continuou, que o poder de mercado de que gozam os gigantes digitais está enfraquecendo a mídia australiana.

Nos últimos três anos, estima-se que o Google e o Facebook tenham capturado 80% do crescimento da publicidade digital. Sims afirmou que, apesar de obter a maior parte da receita publicitária, essas empresas não estão criando notícias australianas originais e de qualidade. "Em vez disso, selecionam, curam, avaliam, classificam e organizam notícias produzidas por terceiros, disseminando o conteúdo de outros."

Sims ressaltou ainda que a Austrália tem uma indústria jornalística diversificada, incluindo duas emissoras públicas, ABC e SBS. “Notícias e jornalismo são diferentes de muitas outras atividades comerciais, pois beneficiam tanto o indivíduo quanto a sociedade como um todo”, reforçou. “A pluralidade de vozes editoriais contribui para o interesse público e não devemos confiar em apenas uma ou duas fontes de notícias. É vital que as empresas de mídia não sejam prejudicadas por meio do exercício do poder de mercado ou de outros mecanismos que dificultem a competição por seus méritos."

As empresas de mídia consideradas ainda novas no mercado australiano, ponderou Sims, como a operação do The Guardian na Austrália, Crikey, BuzzFeed e Daily Mail, não foram capazes até aqui de repor os cortes nas redações da antiga Fairfax Media, agora parte da Nine, e da News Corp Australia, porque operam com redações muito pequenas. Além disso, lembrou Sims, empresas de mídia nascidas na internet, como BuzzFeed e Vice, passam por profunda crise em todo o mundo.

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