Jornalistas denunciam assédio de agentes de fronteira dos EUA, relata CPJ Reprodução/AFP/CPJ

Jornalistas denunciam assédio de agentes de fronteira dos EUA, relata CPJ

Jornalistas relataram ter sofrido assédio de oficiais da Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) dos Estados Unidos na fronteira com o México, informou o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), ao manifestar preocupação com o fato. Alguns dos profissionais afirmaram que também foram submetidos a questionamentos considerados invasivos durante procedimentos de segurança adicionais ao entrarem em solo norte-americano.

Alexandra Ellerbeck, coordenadora de programa para América do Norte do CPJ, segundo informou a Folha de S.Paulo e o site da entidade de defesa à imprensa, afirmou que o uso de procedimentos de segurança adicionais como pretexto para questionar jornalistas sobre suas reportagens é semelhante a “tratar a imprensa como informantes”,  um sinal preocupante para a liberdade de imprensa. “Jornalistas têm o dever de proteger sua independência e a confidencialidade de suas fontes. Eles não deveriam ser submetidos a questionamentos que vão além do propósito de permitir entrada legal para um indivíduo em viagem”, disse Alexandra

O comitê afirmou que pelo menos oito profissionais de imprensa foram questionados pelos agentes de fronteira sobre reportagens feitas sobre a caravana de migrantes que está no México e se dirige aos Estados Unidos. Essas perguntas foram feitas durante inspeções de segurança adicionais. Em ao menos seis casos, relatou o CPJ, os repórteres disseram que os oficiais da CBP pediram para ver fotos ou solicitaram informações sobre a caravana de migrantes.

O fotojornalista freelancer norte-americano Mark Abramson, por exemplo, disse ao CPJ que agentes da fronteira dos EUA vasculharam seus cadernos na fronteira em 5 de janeiro. Perguntaram como ele ganhava dinheiro e o questionaram sobre grupos norte-americanos que poderiam estar ajudando migrantes. Abramson disse ao CPJ que os funcionários da fronteira retiveram sua bolsa e telefone para trás enquanto era interrogado. "Eu não sou um informante. Meu trabalho é informar o público", disse o profissional. "E se houvesse fontes no meu caderno? Parece que a proteção de jornalistas foi jogada para o lado".

Outros dois jornalistas, conforme a Folha de S.Paulo, disseram ao órgão, separadamente, que agentes de fronteira entraram em contato para pedir gravações de vídeo. Eles também teriam sido solicitados a participar de uma entrevista como parte de uma investigação interna sobre conduta potencialmente ilegal dos oficiais da CBP. “O CPJ também está ciente de ao menos dois casos em que agentes de fronteira mexicanos negaram a entrada a jornalistas que foram anteriormente questionados ou fotografados pelo CBP”, informa, em comunicado, o comitê.

Os casos foram registrados em meio à intensificação da cobertura da imprensa sobre questões envolvendo imigração na fronteira entre México e EUA, ainda de acordo com o jornal paulista. Vários jornalistas relataram ao CPJ que sofreram algum tipo de assédio dos agentes do CBP, que tiraram fotografias de alguns deles. O comitê citou um vídeo publicado no site The Intercept em que agentes da fronteira dizem a jornalistas que eles podem ser acusados de contravenção ou crime por “ajudar e incentivar” indivíduos a entrarem nos EUA. O vídeo faz parte de uma investigação do The Intercept sobre assédio a jornalistas, advogados e ativistas na fronteira.

Caravanas de migrantes que se dirigem aos Estados Unidos são alvo de críticas do presidente norte-americano, Donald Trump, que também mantém constante retórica de ataque à imprensa. Em novembro, o republicano afirmou que havia terroristas infiltrados em um grupo que atravessava o México a caminho do país.

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