Protesto contra proposta de lei nos EUA que limitaria movimento antivacina Protesto contra proposta de lei nos EUA que limitaria movimento antivacina Reprodução/The Guardian / AP

Desinformação nas redes sociais traz descrença na ciência e surto de doenças

A desinformação nas redes sociais continua a causar danos irreparáveis às sociedades, sem que as gigantes de tecnologia cumpram com as promessas de resolver o problema. É o caso, por exemplo, das campanhas do movimento antivacina, promovidas a partir de grupos no Facebook, e das teorias de conspiração com audiência impulsionada pelo algoritmo de recomendação do YouTube, do Google. Vem de uma mídia social bem menos poderosa que o duopólio, o Pinterest, a demonstração de que é possível ser mais eficiente contra as toxicidades na internet.  

Criada em 2010, a rede social de compartilhamento de fotos e imagens, relata o jornal britânico The Guardian, enfrentou críticas em 2016, depois que um estudo científico descobriu que 75% dos posts relacionados a vacinas eram negativos. No ano seguinte, o Pinterest atualizou suas “diretrizes comunitárias” para proibir explicitamente “a promoção de curas falsas para doenças crônicas ou terminais e conselhos antivacinação”.

A mudança de política abriu caminho para o Pinterest implementar uma série de abordagens tecnológicas no combate à propaganda do movimento antivacina. Na mais recente, no fim de 2018, a rede social bloqueou de sua própria plataforma os resultados de buscas. A decisão, temporária, foi tomada diante do reconhecimento da empresa de sua incapacidade de remover conteúdos enganosos, que motivam as pessoas a evitar a vacinação.

O Pinterest também passou a impedir que os usuários reconfigurem memes antivacinação já relatados e removidos. A empresa baniu ainda todos os pins (ferramenta que remete à página do criador do conteúdo) de sites suspeitos. Neste caso, como a ferramenta é aplicada pelos usuários, as pessoas simplesmente não podem “fixar” um link para essas páginas.

"Somos um lugar onde as pessoas procuram inspiração e não há nada inspirador em conteúdo prejudicial", disse Ifeoma Ozoma, gerente de políticas públicas e impacto social da empresa, que mesmo assim não está livre de desinformação. O executivo disse ao The Guardian que um dos desafios é a grande quantidade de material antivacinação postado a partir de grandes players. “Estamos trabalhando nisso desde 2017, mas estamos sozinhos nisso. Espero que haja mais discussões daqui para frente.” Recentemente, o Facebook prometeu tomar medidas contra o movimento antivacina na rede social.

Novo boicote de anunciantes

No YouTube, assim como na rede social de Mark Zuckerberg, há uma série de promessas para acabar com problemas que vão além das campanhas antivacinação. Estão entre eles a profusão de teorias conspiratórias e a articulação criminosa, como os comentários pedófilos por parte de usuários em vídeos com menores de idade que, nesta quinta-feira (21) levaram grandes anunciantes – Nestlé, McDonald's, Disney e Epic Games (do jogo Fortnite), entre eles –a retiraram seus anúncios da rede social de vídeos do Google, de forma semelhante ao que ocorreu em 2017. Em comunicado, o YouTube informou ter tomado "ações imediatas" para eliminar os comentários.

A empresa já havia prometido dar um fim nas teorias conspiratórias, mas elas permanecem lá, incentivando a ignorância. Pesquisa da Universidade de Tecnologia do Texas (EUA) revelou o YouTube é responsável pelo crescimento no número de pessoas que acreditam que a Terra é plana. O levantamento, segundo o The Guardian, entrevistou um total de 30 pessoas para entender como elas passaram a acreditar na teoria de que a Terra é plana.

Nada menos do que 29 dessas 30 pessoas afirmaram que não acreditavam que a Terra era plana até dois anos atrás, destacando que mudaram de ideia justamente após assistir a vídeos sobre teorias da conspiração no site do Google. “A única pessoa que não disse isso estava lá com a sua filha e seu genro e eles tinham visto isso no YouTube e falado para ele sobre o assunto”, explicou ao The Guardian a pesquisadora Asheley Landrum, que liderou o estudo.

Leia mais em:

https://www.theguardian.com/technology/2019/feb/20/pinterest-anti-vaxx-propaganda-search-facebook

https://www.theguardian.com/technology/2019/feb/12/facebook-anti-vaxxer-vaccination-groups-pressure-misinformation

https://itmidia.com/fake-news-atrapalham-campanha-de-vacinacao-contra-hpv-alerta-ministerio-da-saude/

https://www.buzzfeednews.com/article/carolineodonovan/youtube-anti-vaccination-video-recommendations

https://itmidia.com/novo-estudo-culpa-youtube-por-crescimento-da-crenca-sobre-terra-plana/

https://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2019/02/21/disney-e-mcdonalds-retiram-anuncios-do-youtube-por-comentarios-pedofilos.ghtml

https://veja.abril.com.br/tecnologia/pedofilos-utilizam-youtube-para-trocar-pornografia-infantil/?_ptid=%7Bjcx%7DH4sIAAAAAAAAAI2QS4-CMBSF_0vX1LSlFXCnjBozcfDJ6OwqXKCJAtKCxsn890Eyj5jMYu7unu-cszjvSKoYDZDdXNeBWMNNIQuVMoVQwWV2J4xQDxOGGcWUYeFhZmNiC9zsuV7MC7HxlRnBjeDEOwjmOo5ncyaAR0RSyr2YHkgS28Jx2mK4llApyCPoqse76dvK3YZPbLJ_oOMrRLVRRd7ZqEsI14SoCJP22NlNS3oy_VS6ac61rM68iB7yw-gnrLPiEiQJVLsdWz6PRwt3Mp1x2tozqTdwKo_SABqYqgYLma-_Swab7TwMXny-CAX6ZaGslMzN3ZLXx6OFInkqpUpz_S00SquOowb_vZ6Dqb-3z6s4fM2WHvgi-896quzG8Hr9HhM9yvqtVmuohinkpkXxJUEfn0paKK7RAQAA

http://fortune.com/2019/02/20/youtube-advertising-videos-create-soft-core-pedophilia-ring/

https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/movimento-antivacina-incluido-na-lista-de-dez-maiores-ameacas-saude-em-2019-23413227