Stephan Scherzer, CEO da associação alemã de publishers Stephan Scherzer, CEO da associação alemã de publishers Reprodução

Paywall sustenta recuperação da credibilidade de jornais e revistas da Alemanha

A adoção do modelo de paywall foi decisiva para a recuperação da credibilidade da imprensa da Alemanha em apenas três anos. Neste curto período, segundo estudo da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, o índice de desconfiança dos leitores alemães em relação aos jornais e revistas do país recuou de 60% para apenas 17%.

A pesquisa mostra que o desgaste verificado antes da retomada foi resultado de uma combinação entre a massificação do acesso à internet via mobile, excesso de conteúdos digitais gratuitos e um ambiente político adverso ao jornalismo – em 2015, diz o estudo, a imprensa alemã enfrentou muitas dificuldades para reagir aos ataques dos movimentos populistas e xenófobos, em meio à crise dos refugiados.

O fim da cultura do conteúdo gratuito é um marco para o jornalismo por ser um modelo de negócio promissor e, ainda, representar um selo de garantia para o leitor diante da cultura da desinformação, diz Stephan Scherzer, CEO da associação alemã de publishers, a Verbands Deutscher Zeitschriftenverleger (VDZ), segundo o jornal espanhol El Mundo. "Quem paga exige veracidade, e isso significa mais trabalho para o jornalista, mais rigor".

Sebastian Matthes, diretor da edição digital do diário econômico Handelsblatt, cuja assinatura mensal é de 25 euros, concorda com Scherzer. "O jornalismo digital custa o mesmo que o impresso e exige igual rigor. Foi um erro seguir o mantra de que tudo deveria ficar ‘aberto’. Os meios de comunicação pagaram muito caro por isso", destaca. “Preocupados apenas com a quantidade de cliques, vendíamos histórias que custam um ano de pesquisa por apenas 39 centavos, o que é insustentável", reforça Klaus Brinkbäumer, da revista Der Spiegel. Hoje, conforme estudo do instituto Allensbacher, um terço da população da Alemanha está consciente de que a mídia perde dinheiro ao oferecer informação gratuita na internet. Quase 50% dos alemães acreditam que o jornalismo deve ser financiado principalmente por sua audiência.

Mobile

Os mais jovens são os mais dispostos a pagar por conteúdo. Cerca de 40% dos usuários da internet entre 18 e 29 anos, afirma a pesquisa, pagaram alguma vez por informação na web, e 20% estão dispostos a fazê-lo. Em contrapartida, um de cada seis alemãs de 40 a 59 anos comprou um conteúdo alguma vez. A partir dos 60 anos, a relação é de um pagante a cada 11 pessoas."Os publishers de jornais e revistas devem se concentrar na geração dos smartphones, e não na geração da internet. Se não entenderem isso, suas estratégias não terão sucesso", adverte Werner Ballhaus, chefe de tecnologia e mídia da consultora PwC.


https://www.totalmedios.com/nota/37683/medios-en-alemania-cobrar-por-informacion-la-receta-para-recuperar-la-credibilidad