Facebook tem responsabilidade na perseguição do governo das Filipinas à editora do site Rappler, diz relator da ONU Reprodução

Facebook tem responsabilidade na perseguição do governo das Filipinas à editora do site Rappler, diz relator da ONU

O Facebook é, em parte, responsável pela prisão de Maria Ressa, diretora e editora-executiva do site filipino Rappler, segundo o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, David Kaye.

A detenção e os processos contra a jornalista são, para muitos especialistas, uma retaliação do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, por ela ter informado o público sobre contas falsas que incitam a violência no Facebook, não removidas em tempo hábil pela rede social. “Certamente, Maria merece isso [a remoção das contas], mesmo que seja provavelmente tarde demais", disse Kaye.

Em 2016, a jornalista identificou 26 contas falsas no Facebook usadas por aliados do presidente Duterte para manipular a opinião pública e em outras mídias sociais. No mesmo ano, ela pediu à rede social para removê-los, argumentando que seria muito perigoso para a seu site de notícias publicar as descobertas antes disso. Diante da falta de ação do Facebook, porém, o Rappler preparou uma série de reportagens, divididas em três partes.

Logo após as publicações, houve uma avalanche de ameaças e ações judiciais contra a jornalista, culminando na sua detenção, no dia 13 deste mês. Maria Ressa deixou a prisão no dia seguinte, após o pagamento de fiança no valor de US$ 1,9 mil. Desde então, a jornalista foi forçada a aumentar a segurança para ela e para o seu site noticioso. "Se o Facebook tivesse tomado medidas em 2016, eu não estaria nessa posição", disse.

O Rappler é alvo constante do governo e de seus apoiadores por descrever a violenta guerra contra as drogas e as execuções extrajudiciais cometidas pelas forças de segurança de Duterte, que vitimaram cerca de 12 mil pessoas, segundo a ONG Human Rights Watch.

A perseguição e a resistência de Maria Ressa renderam a ela o título de “Pessoa do Ano” de 2018 na edição em que a revista Time homenageou o que chamou de “guardiões da verdade” – jornalistas mortos, detidos e perseguidos pelo mundo. Na ocasião, a publicação destacou que o governo filipino se recusava a credenciar jornalistas do Rappler para cobri-lo e acusava o site de fraude fiscal, em alegações que poderiam resultar em dez anos de prisão para sua presidente.

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https://www.washingtonpost.com/technology/2019/02/25/seeded-social-media-jailed-philippine-journalist-says-facebook-is-partly-responsible-her-predicament/?noredirect=on&utm_term=.a296876ead64&wpisrc=nl_tech&wpmm=1

https://oglobo.globo.com/mundo/eleita-pessoa-do-ano-em-2018-jornalista-critica-de-duterte-presa-sob-acusacao-de-difamacao-nas-filipinas-23449053

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/12/e-preciso-mapear-as-redes-que-estao-espalhando-fake-news-diz-jornalista-filipina-premiada.shtml