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Automação vai aos poucos ganhando espaço nas redações, e não tira o lugar dos jornalistas, diz estudo da WAN-IFRA

As empresas noticiosas vivem sob forte pressão econômica para extrair margens mais altas de recursos cada vez menores e dentro de um mercado digital amplamente dominado pelo duopólio formado por Google e Facebook. Como nas demais indústrias, o aprendizado de máquina e a inteligência artificial são para mídia uma oportunidade para melhorar a produtividade. No jornalismo, entretanto, que depende da qualidade e credibilidade informativa, esse é um movimento que exige extrema cautela. Pensando nisso, nova pesquisa encomendada pela Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA) mostra como a automação pode ser útil nas tarefas jornalísticas longe de ocupar o lugar dos seres humanos. Pelo contrário, o trabalho autômato libera o jornalista – sobrecarregado nas redações enxutas da atualidade – para produzir melhores reportagens.

O relatório, News automation: The rewards, risks and realities of ‘machine journalism' foi produzido em parceria com a Universidade de Helsinki e o Centro de Pesquisas Técnicas da Finlândia e se concentra justamente onde a automação pode contribuir mais com o jornalismo:  a geração de textos com base em dados estruturados. O estudo avaliou exemplos de como a automação de notícias foi implementada nas seguintes redações: MittMedia e United Robots (Suécia), RADAR (Reino Unido), The Washington Post (EUA), Valtteri (Finlândia) e Xinhua e Caixin (China). O progresso, dizem os estudiosos, é estável, mas ainda muito lento. No entanto, já há elementos capazes de ajudar a estabelecer boas estratégias de automação, adaptadas à situação de cada redação.

Eis algumas conclusões do estudo:

● Atualmente, um dos principais objetivos do conteúdo automatizado é economizar o esforço jornalístico, especialmente em tarefas repetitivas, enquanto aumenta a produção. A boa notícia é que, até agora, a automação de notícias não substituiu os humanos, e parece destinada a trabalhar ao lado dos humanos na redação.

● A automação de notícias fornece às empresas de mídia uma oportunidade de expandir seus negócios fora das notícias tradicionais.

● O futuro da automação está em dividir o trabalho jornalístico nos procedimentos de busca pela informação e micro processos para analisar o que pode ser automatizado e quais são as tarefas inerentemente humanas.

● Editores que consideram a implementação de sistemas de automação de notícias têm de decidir se o sistema deve ser comprado de um provedor de serviços ou criado e modificado internamente.

● O jornalismo automatizado transforma dados estruturados em artigos de notícias, e a qualidade do resultado é altamente dependente da qualidade dos dados que são alimentados a ele. Ou seja, está em sintonia com o trabalho dos seres humanos.

● Textos gerados automaticamente são frequentemente propensos a erros e, por isso, precisam ser constantemente monitorados.

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https://blog.wan-ifra.org/2019/03/12/new-wan-ifra-report-explores-the-potential-of-automated-news