Resistência de alguns países leva UE a desistir de imposto sobre a receita de gigantes de tecnologia Reprodução

Resistência de alguns países leva UE a desistir de imposto sobre a receita de gigantes de tecnologia

A União Europeia (UE) não conseguiu levar adiante seu plano de cobrar um imposto sobre as receitas de gigantes de tecnologia como Google, Facebook e Amazon. Reunidos na terça-feira (12) em Bruxelas, na Bélgica, ministros de Finanças dos países do bloco não chegaram a um acordo sobre a medida, inicialmente proposta pela Comissão Europeia e impulsionada pelo governo da França.

A proposta original era taxar em 3% as receitas das companhias de tecnologia, mas houve forte resistência de países como Suécia, Dinamarca, Finlândia e Irlanda. Mesmo com versões mais brandas, relatou o jornal O Globo, a medida não obteve aprovação, pois os governos oscilam entre a possibilidade de atrair novos negócios para seus países e a necessidade de fazer face à insatisfação popular com o fato de as empresas não contribuírem para os cofres públicos como deveriam.

“Não conseguimos alcançar um acordo sobre o imposto sobre a receita com publicidade digital, o que, para a França, é uma oportunidade perdida”, disse o ministro das Finanças francês Bruno Le Maire após reunião com seus colegas na capital belga. “Temos que prosseguir para o nível da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), e a França vai fazê-lo com a determinação de ter um novo sistema de taxação internacional que seja mais justo e mais eficiente.

Os sistemas de taxação tradicionais até agora não conseguiram capturar receitas de empresas com alcance global mas pouca presença física, caso das gigantes de internet. Isso vem irritando as populações, já cansadas de anos de austeridade no bloco, e de aumentos ínfimos de salários. O problema é que, segundo O Globo, para mudar as políticas fiscais, é preciso unanimidade entre os países da UE.

Com a desistência, Áustria e França, dois dos defensores da proposta original, afirmaram que seguirão com ela no nível doméstico, e outros disseram que seguirão o exemplo, como a Itália.

Reação dos EUA

Os críticos da medida explicaram que o imposto poderia irritar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já que a maioria das gigantes de internet é americana. Trump já vem ameaçando impor tarifas comerciais à Europa. Outros países também se perguntaram por que a UE pensou em embarcar sozinha na iniciativa, em vez de propor um debate mundial, ainda conforme o O Globo.

Segundo Le Maire, a OCDE poderia concordar com os pontos-chave da nova taxa digital até o fim do ano, com possibilidade de entrada em vigor em 2020. Seu otimismo foi compartilhado por seu colega alemão das Finanças, Olaf Scholz. “É bastante provável que, no nível da OCDE, tenhamos um consenso para adoção em meados do próximo ano”, disse Scholz.

Leia mais em:

https://oglobo.globo.com/economia/ue-desiste-de-imposto-sobre-receita-de-gigantes-como-google-facebook-amazon-23516476

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/taxa-google-rejeitada-uniao-europeia-falha-acordo-sobre-imposto-defendido-por-governo-portugues-421088

https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2019-03-13/breaking-up-amazon-facebook-and-google-is-too-scary-for-europe