Regra do sistema bancário que detalha o perfil do cliente seria útil contra a desinformação no Facebook, diz especialista do NYT Reprodução

Regra do sistema bancário que detalha o perfil do cliente seria útil contra a desinformação no Facebook, diz especialista do NYT

Facebook e YouTube (do Google) e outras mídias sociais repetem há mais de dois anos promessas e, de forma constante, apresentam novidades para, sem sucesso, resolver a disseminação de desinformação e ódio em suas plataformas. Colunista de finanças do The New York Times, o jornalista e autor Andrew Ross Sorkin, em texto publicado no Brasil pelo jornal O Estado de S.Paulo, disse reconhecer a complexidade das soluções para tais problemas, mas chamou a atenção para o quanto uma regra simples que “sustenta” o sistema bancário pode resultar em avanços se aplicada pelas empresas do Vale do Silício: a ideia de “conhecer o cliente".

Sorkin escreveu que, na verdade, não se trata de nada misterioso. “Levando em consideração as preocupações envolvendo privacidade, segurança e fraude, nenhum banco pode receber novos clientes sem verificar sua existência e analisar seu perfil”, disse. A ideia de aplicar uma regra desse tipo às redes sociais já foi sugerida antes, lembrou o jornalista, mas não encontrou muitos adeptos.

“Este pode ser o momento certo”, destacou. Sorkin assinalou se o processo de verificação pessoal dos usuários fosse expandido, o volume de notícias falsas e discursos de ódio poluindo as plataformas de redes sociais diminuiria muito. E as empresas não poderiam ignorar os casos restantes. Uma versão modificada daquilo que ocorre na indústria de serviços financeiros é uma possibilidade de funcionamento para esse processo de verificação aprofundado, assinalou o jornalista.

“Ao abrir uma conta no banco, o cliente costuma apresentar informações pessoais, que são verificadas pela gerência para garantir sua veracidade. A verificação também é usada para determinar se a pessoa tem antecedentes criminais. Processos como esse ajudam a proteger os bancos”.

Há, segundo o jornalista do The New York Times, um precedente para a adoção de um regime semelhante para as redes sociais. A NextDoor, que ajuda as pessoas a se comunicarem com suas comunidades locais, requer que os usuários interessados enviem suas informações de cartão de crédito ou telefone celular, usadas pelo site em uma verificação cruzada. “Quando a pessoa não tem alguma das duas coisas, a empresa envia um cartão postal para o endereço do interessado com um código que pode ser usado online”.

Relatos indicam que a NextDoor tem dezenas de milhões de usuários, muito menos do que os bilhões encontrados em outras redes sociais. Se a introdução de um sistema universal em tamanha escala for demasiadamente desafiadora, um teste nos Estados Unidos e Canadá pode ser um bom começo, sugere Sorkin. “Mas a necessidade de uma regra do tipo ‘conheça o cliente’ pode se tornar mais urgente conforme as redes sociais evoluem para se tornar serviços de mensagens particulares totalmente criptografadas, como os planos anunciados por Zuckerberg para o Facebook”.

Trata-se de uma meta louvável, disse o jornalista do The New York Times, mas, se os usuários forem falsos, ou se não for possível responsabilizá-los pelo conteúdo que divulgam, a facilidade inata da divulgação de informações falsas em redes criptografadas pode trazer implicações ainda mais preocupantes. “A não ser, é claro, que tenhamos um mecanismo viável de verificação das identidades individuais - possibilitando assim que as redes sociais conheçam seus clientes. Não parece nada além de bom senso”.

Leia mais em:

https://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,wall-street-tem-licao-a-ensinar-no-combate-as-noticias-falsas,70002797037