França e Nova Zelândia querem ação global para exigir que Google e Facebook façam mais contra a propaganda terrorista Reprodução

França e Nova Zelândia querem ação global para exigir que Google e Facebook façam mais contra a propaganda terrorista

A França e a Nova Zelândia decidiram liderar uma tentativa de formar uma frente global de combate ao uso das redes sociais para a propaganda terrorista. A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, e o presidente francês, Emmanuel Macron, marcaram uma primeira reunião com líderes mundiais e executivos de empresas de tecnologia em Paris, na França, no dia 15 de maio. Os CEOs das empresas responsáveis por mídias interativas, como Facebook, Google e Twitter, já foram convidados para o encontro. "Isso não é sobre a liberdade de expressão; trata-se de prevenir o extremismo violento e o terrorismo online", disse Jacinda em uma coletiva de imprensa em Auckland, na quarta-feira (24).

Twitter e Google, dono do YouTube, confirmaram que participariam da reunião, informou a CNN, mas não disseram se os CEOs Jack Dorsey e Sundar Pichai estarão presentes. Um porta-voz do Facebook disse que a empresa está avaliando "quem entre os principais executivos do Facebook comparecerá". A Microsoft não comentou se enviará um representante. Macron e Jacinda pretendem que os participantes da reunião assinem um compromisso chamado "Christchurch Call" – alusivo à cidade que sofreu ataque terrorista transmitido ao vivo pelo Facebook em 15 de março –, que visa "acabar” com o uso das mídias sociais para atos de terrorismo.

Em comunicado, Jacinda disse que na recente chacina na Nova Zelândia as mídias sociais foram usadas de maneira sem precedentes como uma ferramenta para promover um ato de terrorismo e ódio. "Estamos pedindo uma demonstração de liderança para garantir que a mídia social não possa ser usada novamente dessa forma", disse. Na entrevista concedida a repórteres, a primeira-ministra enfatizou que “todos nós precisamos agir, e isso inclui os provedores de mídia social que devem assumir mais responsabilidade pelo conteúdo que está em suas plataformas".

Macron, que recebeu o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, e outros executivos de alto escalão em uma cúpula do "Tech for Good", em Paris, no ano passado, tem sido ativo na luta contra o discurso de ódio online. "Nos últimos anos, o número de mortes resultantes de ataques terroristas no território francês foi considerável", disse um porta-voz do presidente ao confirmar a iniciativa ao lado da Nova Zelândia para combater o discurso de ódio nas mídias sociais.

Riscos à livre expressão

A pressão para que as empresas, particularmente Facebook, Twitter e YouTube, impeçam a veiculação de conteúdo extremista aumentou depois que mais de um milhão de cópias do vídeo dos disparos de Christchurch circularam online. Nesta semana o movimento ganhou mais força depois que centenas de pessoas foram mortas em ataques terroristas contra igrejas e hotéis no Sri Lanka.

Adrian Shahbaz, diretor de pesquisas da Freedom House, organização de defesa dos direitos humanos e da democracia, afirmou à NPR estar preocupado com os possíveis rumos do debate proposto pela França e Nova Zelândia. Há uma tendência, afirmou, de os governos agirem de forma mais enérgica depois de crises de segurança nacional e ataques terroristas em larga escala. Na pressa, advertiu Shahbaz, os líderes podem promulgar leis e regulamentos que violam a privacidade e a liberdade de expressão das pessoas.

"Uma das ideias que Jacinda Ardern mencionou foi a de, talvez, atrasar qualquer streaming ao vivo. O medo que temos é que estamos caminhando em direção a um futuro em que todas as postagens de mídia social serão filtradas antes de serem postadas", disse Shahbaz. Pelo menos 21 países bloquearam momentaneamente as mídias sociais entre 2017 e 2018, de acordo com a Freedom House.

No Sri Lanka, em que quase 300 pessoas foram mortas no último domingo (21), o governo interrompeu o funcionamento das mídias interativas. Shahbaz disse que a iniciativa pode ter impedido as pessoas de se comunicarem, buscando abrigo e acesso a informações precisas. “Devemos tratar a causa raiz do problema e não seus sintomas", afirmou.

Robert Pape, professor da Universidade de Chicago especializado em segurança internacional, disse que a cúpula de Paris é um bom passo, mas que especialistas em terrorismo também deveriam ser convidados. "A mídia social oferece oportunidades para terroristas islâmicos, terroristas de supremacia branca e até atiradores de escolas para a amplificação de seus atos, glória a si mesmos, de uma maneira que nenhuma outra plataforma de mídia faz".

Leia mais em:
https://www.npr.org/2019/04/24/716712161/global-effort-begins-to-stop-social-media-from-spreading-terrorism

https://www.nytimes.com/2019/04/24/world/asia/ardern-social-media-content.html

https://edition.cnn.com/2019/04/24/tech/new-zealand-france-terrorism-social-media/index.html