Editora-chefe do grupo, Katharine Viner Editora-chefe do grupo, Katharine Viner Reprodução

Aposta no digital, público internacional, cortes e modelo de contribuição voluntária dão ao The Guardian o primeiro lucro em 20 anos

Após três anos de um duro processo de reestruturação, o jornal britânico The Guardian – incluindo sua edição dominical, o The Observer – obteve no ano fiscal entre abril de 2018 e o mesmo mês em 2019 seu primeiro lucro operacional (antes de juros, taxas, depreciações e amortizações), de £ 800 mil (R$ 4,1 milhões), pela primeira em 20 anos. O faturamento total, de £ 223 milhões (R$ 1,1 bilhão) no período também o maior desde 1998, tem como principal contribuição a receita digital (55%), entre publicidade, contribuições de leitores e assinaturas representa 55%.

O diário, que mantém um modelo único entre os publishers – sem paywall, com conteúdo acessível gratuitamente pela internet e contribuições de leitores que têm um perfil internacional –, informou que busca manter a sustentabilidade financeira e projeta, a partir de nova estratégia de três anos. alcançar 2 milhões de apoiadores que contribuem financeiramente, entre pagamentos regulares ou únicos, até 2022.

Atualmente, o The Guardian, conta com 365 mil contribuintes e membros financeiros recorrentes. As assinaturas digitais também estão em alta, perto de 190 mil. O The Guardian, o The Observer e o The Guardian Weekly (publicação no modelo de revista) têm juntos 110 mil assinantes de suas versões impressas. Isso perfaz um total de mais de 655 mil contribuintes financeiros regulares, enquanto outras 300 mil pessoas fizeram pagamentos únicos no ano passado.

O grupo Guardian News and Media (GNM), que edita os três títulos anunciou ainda um número recorde de leitores no último mês de março, com 163 milhões de navegadores únicos e 1,35 bilhão de páginas vistas. O número de leitores regulares nas plataformas do The Guardian aumentou 40% nos últimos três anos, de acordo com o GNM, controlado pela Scott Trust Endowment Fund.

Os bons resultados do The Guardian chegam depois de uma etapa na qual houve uma redução de 20% nos custos da empresa. Em um plano comandado pelo executivo-chefe do GNM, David Pemsel, e a editora-chefe do grupo, Katharine Viner, houve corte de 450 postos de trabalho (entre eles 120 demissões voluntárias), a adoção do tamanho tabloide nas versões impressas e redução nas operações internacionais.  

“Três anos atrás, enfrentávamos uma situação muito diferente, quando um modelo de negócio falido para notícias ameaçava destruir organizações de mídia em todo o mundo: a publicidade impressa estava em colapso, as vendas de jornais estavam em declínio e a promessa de crescimento da publicidade digital estava quase inteiramente no Facebook. Essas ameaças ainda existem e, embora tenhamos encontrado uma maneira de combatê-las, a situação continua frágil”, disse Katharine em carta publicada no site do jornal.

Agora, afirmou a editora-chefe, o desafio é manter isso a longo prazo, mantendo sustentabilidade para garantir a produção de um jornalismo significativo. “As reportagens de investigação são caras, quer expondo o escândalo Windrush no Reino Unido, o escândalo da Cambridge Analytica no Vale do Silício ou os danos ambientais a longo prazo que ocorrem nos Estados Unidos, na Austrália e em todo o mundo”, comentou ao destacar a alta qualidade do jornalismo praticado pelo grupo.

O The Guardian e o The Observer ganharam em 30 de abril dois prestigiosos prêmios London Press Club. A jornalista Amelia Gentleman venceu na categoria Jornalista do Ano por sua reportagem sobre as injustiças infligidas à geração Windrush, enquanto a cobertura do The Observer sobre a Cambridge Analytica, liderada por Carole Cadwalladr e Emma Graham-Harrison, vence o Scoop of the Year.

O GNM relatou que as operações na Austrália e nos Estados Unidos também alcançaram uma situação financeira sustentável, tendo encontrado "audiências crescentes e leais em seus mercados", registrando um crescimento de receita de dois dígitos no ano passado.

Leia mais em:

https://www.pressgazette.co.uk/guardian-comeback-financial-but-at-cost-of-450-jobs/?utm_medium=email&utm_campaign=2019-05-01&utm_source=Press+Gazette+Daily+new+layout

https://www.pressgazette.co.uk/guardian-group-meets-target-to-break-even-at-end-of-three-year-financial-turnaround-plan/?utm_medium=email&utm_campaign=2019-05-01&utm_source=Press+Gazette+Daily+new+layout

https://www.theguardian.com/global/2019/may/01/the-guardian-break-even-katharine-viner

https://www.niemanlab.org/2019/05/want-to-see-what-one-digital-future-for-newspapers-looks-like-look-at-the-guardian-which-isnt-losing-money-anymore/?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=4d44029385-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-4d44029385-386384393

https://www.niemanlab.org/2019/05/want-to-see-what-one-digital-future-for-newspapers-looks-like-look-at-the-guardian-which-isnt-losing- Guardian owner hits profit benchmark after decades of lossemoney-anymore/?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=4d44029385-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-4d44029385-386384393

https://www.theguardian.com/media/2019/may/01/guardian-breaks-even-helped-by-success-of-supporter-strategy?utm_term=RWRpdG9yaWFsX01lZGlhQnJpZWZpbmctMTkwNTAy&utm_source=esp&utm_medium=Email&utm_campaign=MediaBriefing&CMP=media_email

https://www.theguardian.com/gnm-press-office/2019/may/01/guardian-and-observer-win-two-london-press-club-awards?utm_term=RWRpdG9yaWFsX01lZGlhQnJpZWZpbmctMTkwNTAy&utm_source=esp&utm_medium=Email&utm_campaign=MediaBriefing&CMP=media_email

https://www.ft.com/content/e8b745b6-6bee-11e9-a9a5-351eeaef6d84