Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres Reprodução

Responsabilização e exposição da ‘verdade para o poder’ dependem de imprensa livre, diz ONU

Em um momento no qual a desinformação e a desconfiança na mídia estão crescendo, a liberdade de imprensa é “essencial para a paz, a justiça, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, em mensagem para o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, lembrado na última sexta-feira (3). Nenhuma democracia, afirmou, está completa sem acesso a informações transparentes e confiáveis, descrevendo o jornalismo como “a base para construir instituições justas e imparciais, responsabilizar líderes e falar a verdade ao poder”.

As comemorações deste ano, que ocorrem ao redor do mundo, destacam o papel que boas reportagens desempenham para a democracia e para eleições justas. A desinformação, alertou a ONU, está se tornando um problema maior até mesmo nos sistemas democráticos mais antigos e mais sofisticados do mundo. “Fatos, e não falsidades, devem guiar pessoas conforme escolhem seus representantes”, disse o chefe da organização. “Embora tecnologias tenham transformado as maneiras como recebemos e compartilhamos informações, às vezes elas são usadas para induzir a opinião pública ao erro ou impulsionar violência e ódio.”

Ação global contra a censura

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que lidera as iniciativas em defesa da livre expressão nesta semana alusiva ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, lançou um alerta global sobre a relação imprescindível entre imprensa e democracia, informou o jornal Zero hora. A UNESCO denunciou sucessivas tentativas de censura a veículos de comunicação e jornalistas profissionais mundo afora. 

Sob o lema Mídia para a Democracia, Jornalismo e Eleições em Tempos de Desinformação, a 26ª edição do evento tem como sede Adis Abeba, na Etiópia. Entre as atividades desenvolvidas pela Unesco para marcar a data, está a campanha Defenda o Jornalismo, que incentiva a reflexão sobre a importância da profissão e dos órgãos de comunicação independentes no momento em que governos autoritários elegeram jornalistas e veículos de imprensa como alvo, ainda segundo Zero Hora.

“Quando se multiplicam os discursos de desconfiança e deslegitimação da impressa e do trabalho jornalístico, é fundamental garantir a liberdade de opinião mediante o livre intercâmbio de ideias e de informação baseados em verdades factuais”, afirma a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay. Além de prisões e assassinatos de jornalistas, preocupação recorrente da entidade, a UNESCO advertiu sobre as tentativas de intimidação do exercício do jornalismo por meio de medidas judiciais.

Jornais, revistas, sites, emissoras de rádio e TV têm sido censurados, multados, suspensos ou fechados, informou Zero Hora. A sociedade, disse Audrey, deve atuar para proteger a liberdade de expressão e a segurança de jornalistas. “A existência de meios de comunicação livres, plurais e independentes é condição indispensável para o bom funcionamento das democracias. O jornalismo independente permite expor os fatos aos cidadãos para que esses formem suas próprias opiniões”.

Apenas 9% vivem em total liberdade de expressão

Em várias partes do mundo – inclusive no Brasil – repórteres, redatores e editores são perseguidos por meio de campanhas instrumentalizadas por grupos políticos nas redes sociais, principalmente em tempos de polarização política. Nesse cenário, a imprensa profissional é antídoto contra as notícias falsas, lembrou o jornal do Rio Grande do Sul. “O jornalismo profissional tem se demonstrado ainda mais relevante em períodos eleitorais. Nessas ocasiões, as ondas de desinformação ganham escala industrial”, disse o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e vice-presidente Editorial da RBS, Marcelo Rech, ao jornal Zero Hora.

Em abril, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou o ranking 2019 sobre liberdade de imprensa. Em comparação com o estudo realizado no ano anterior, o Brasil caiu três posições, ficando na 105ª colocação, entre 180 nações. Com a queda, o país se aproximou da chamada zona vermelha, classificada como local de difícil situação para a imprensa. Nessa faixa, estão junto ao Brasil países como Venezuela, Iraque e Turquia. 

Nesta semana, em seu site, a RSF assinalou que, segundo seu mais recente relatório, apenas 9% da humanidade vive em países onde a situação da liberdade de imprensa é considerada pela organização como boa ou muito boa, enquanto 74% da população mundial vive em países onde a situação da liberdade de imprensa é considerada difícil ou muito grave, ou seja, amplamente reprimida, como na China, na Rússia, na Arábia Saudita, mas também em democracias como o México ou a Índia. Incluindo os países, onde a situação é classificada como problemática, como a Mauritânia e a Hungria, esse número sobe para 91%. 

Leia mais em:

https://nacoesunidas.org/responsabilizacao-e-exposicao-da-verdade-para-o-poder-dependem-de-imprensa-livre-diz-onu/

https://rsf.org/pt/noticia/9-da-populacao-mundial-vive-em-paises-onde-liberdade-de-imprensa-e-considerada-satisfatoria

https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-20856-dia-mundial-da-liberdade-de-imprensa-em-2019-foca-no-tema-jornalismo-e-eleicoes-em-tem  

https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2019/05/unesco-pede-atencao-global-contra-censura-a-veiculos-de-comunicacao-e-jornalistas-profissionais-cjv79v1t700cx01ma08gqsf3r.html