Violações contra comunicadores no Brasil crescem 30% e ocupam mais espaço nas redes sociais Reprodução

Violações contra comunicadores no Brasil crescem 30% e ocupam mais espaço nas redes sociais

Relatório da organização de defesa à livre expressão Artigo 19 revela que houve aumento de 30% no número de graves violações contra comunicadores no ano passado em relação a 2017. O levantamento, lançado na segunda-feira (6), alerta para o perigo dos crescentes ataques evidenciados nas redes sociais.

“Os casos de graves violações em 2018 demonstram dois aspectos do cenário de violência. Primeiro, se reforçam as tendências históricas de ataques de pessoas poderosas, especialmente políticos, contra comunicadores em cidades pequenas que realizam denúncias contra ações realizadas por essas pessoas”, diz Thiago Firbida, assessor de Proteção e Segurança da Artigo 19 e responsável pelo relatório. “Em segundo lugar, fica evidente um cenário que já vinha se desenhando nos últimos anos: os ataques online contra comunicadores têm se intensificado e impactado a vida e o trabalho de comunicadores inclusive fora da esfera virtual, de modo que novos desafios no enfrentamento da violência são colocados”.

O levantamento, intitulado “Violações à liberdade de expressão”, registou ao todo 35 casos de graves violações, sendo 26 ameaças de morte, quatro homicídios, quatro tentativas de homicídio e um sequestro. De acordo com a publicação, os índices do ano passado retornaram aos patamares mais altos de violência, repetindo a cifra de 2012 e 2015, anos com o maior número de casos encontrados. O relatório aponta que os números “devem ser vistos à luz de um contexto social” de aumento de ataques a comunicadores e tentativa de minar a credibilidade da imprensa em várias partes do mundo, além da consolidação e expansão do ambiente online como espaço de violência, com destaque para as redes sociais.

No Brasil, agentes do Estado, na figura de políticos, policiais e agentes públicos, são os principais autores de violações contra comunicadores: responderam por 18 violações (51%) em 2018. A principal motivação segue sendo a realização de denúncias, o que se nota em 26 dos casos apurados (74%). Em sete casos (20%), os ataques ocorreram a partir de críticas ou opiniões feitas pelo comunicador. Já em outros dois casos (6%) foram processos de investigação que motivaram as violações.

A publicação destaca que as violações feitas online tiveram um papel significativo em 2018 e traz pela primeira vez uma análise do papel do ambiente digital no contexto das eleições do ano passado, considerado um marco de um cenário de violações que vem ganhando evidência mais recentemente. Ao todo, foram registrados 11 casos em que alguma ferramenta online serviu de meio para a veiculação de ameaça de morte, como aplicativos de mensagens, mídias sociais ou e-mails.

O relatório inclui ainda uma entrevista inédita com o escritor Anderson França que relata a história de um comunicador sob ameaça e discute a condição de comunicadores nas periferias.

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https://artigo19.org/blog/2019/05/06/relatorioviolacoes2018/