Ex-paramilitares são condenados por ataque contra jornalista colombiana há 19 anos; entidades dizem que há mais responsáveis Reprodução

Ex-paramilitares são condenados por ataque contra jornalista colombiana há 19 anos; entidades dizem que há mais responsáveis

O quinto juizado criminal especializado de Bogotá, na Colômbia, condenou dois ex-paramilitares a um total de 70 anos de prisão pelo sequestro, tortura e violência sexual cometidos contra a jornalista colombiana Jineth Bedoya Lima, ocorridos há quase 20 anos.

Alejandro Cárdenas Orozco, também conhecido como “JJ”, foi condenado a 30 anos de prisão pelo crime de “acesso carnal violento e agravado em pessoa protegida”, e Jesús Emiro Rivera Pereira, conhecido como “Huevoepisca”, foi condenado a 40 anos por sequestro, tortura e “acesso carnal violento”, segundo o jornal El Tiempo, informou o Centro Knight. Ambos eram membros do grupo paramilitar Autodefensas Unidas de Colombia (AUC).

Na sentença, de 7 de maio, o juizado pediu ao Ministério Público para investigar o general aposentado da Polícia, José Leonardo Gallego, que na época dirigia a Direção de Investigação Criminal (Dijín) da entidade, e que foi mencionado no desenvolvimento da investigação do crime contra Bedoya, segundo El Tiempo. Em março de 2016, Mario Jaimes Mejía, conhecido como "El Panadero", foi condenado a 28 anos de prisão pelo mesmo crime.

“A condenação dos dois envolvidos no violento ataque contra a jornalista Jineth Bedoya é outra vitória importante em seus 19 anos de  coragem na luta contra a impunidade", disse Natalie Southwick, coordenadora do Programa das Américas Central e do Sul do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). "No entanto, não é o último passo. As autoridades colombianas devem seguir investigando este horrendo crime e assegurar que todos os responsáveis sejam submetidos à justiça".

Em um comunicado, a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) da Colômbia, organização que tem sido representante judicial de Bedoya desde 2011, reconheceu a decisão de maio de 2019 “como um avanço no esclarecimento dos fatos”, mas “adverte enfaticamente que essa sentença não pode ser entendida como a superação da impunidade no caso”.

Em uma declaração junto com Pedro Vaca, diretor executivo da FLIP, Bedoya ressaltou que a sentença reconhece que seu crime poderia ter sido evitado se o Estado tivesse dado garantias quando houve ameaças anteriores e um ataque em que a mãe da jornalista quase morreu.

Bedoya Lima, agora vice-editora do jornal El Tiempo, foi sequestrada em 25 de maio de 2000, na porta da prisão La Modelo, em Bogotá, onde investigava a morte de 26 presos e um suposto tráfico de armas. Durante o sequestro ela foi espancada, ameaçada, estuprada e depois abandonada. A tortura e o abuso sexual que ela sofreu foram declarados crimes contra a humanidade pela Procuradoria Geral da Nação em 2012 e o caso ficou imprescritível, o que significa que não há limite de tempo para investigar o caso.

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https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-20874-depois-de-19-anos-dois-ex-paramilitares-sao-condenados-por-sequestro-tortura-e-violenc

https://cpj.org/es/2019/05/autoridades-colombianas-sentencian-a-dos-paramilit.php#more

https://www.elheraldo.co/colombia/condenan-dos-paramilitares-por-secuestro-y-violacion-de-la-periodista-jineth-bedoya-629346