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Detalhe de gráfico do estudo que mostra os modelos de paywall adotados pelos jornais Detalhe de gráfico do estudo que mostra os modelos de paywall adotados pelos jornais Reprodução

Quase 70% dos principais jornais da Europa e dos EUA adotam modelo de assinaturas digitais, diz pesquisa

Os principais jornais do mundo começaram a implantar assinaturas digitais em 2011, quando ficou claro para muitos que o conteúdo gratuito nos sites, em um ambiente dominado por Google e Facebook, não seria um caminho viável para monetização. Desde então, o paywall passou a ser usado por periódicos de vários países, com forte aceleração até 2017, quando já era adotado, por exemplo, por dois terços dos sites de jornais na Europa, segundo pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford. Novo levantamento da organização revela que o modelo continua avançando (em média, 69% dos jornais pesquisados em seis países da Europa e nos Estados Unidos têm paywall), mas em ritmo menos acelerado (em 2017, o percentual era de 64,5%). A pesquisa mostra ainda que o valor das assinaturas permanece sendo um desafio para os publishers: o preço médio mensal é de € 14,09 (US$ 15,79), quase sem alteração em relação ao estudo anterior.

Os paywalls mais rígidos, como os dos jornais de negócios e finanças The Wall Street Journal e Financial Times, são extremamente raros, dizem os dois responsáveis pela pesquisa, Lucas Graves, diretor de pesquisa do Instituto Reuters, e Felix M. Simon, assistente de pesquisa na instituição. O cenário está divido igualmente entre sistemas freemium e paywalls chamados de “medidos” (soft paywall): 33% cada. No caso dos jornais semanais e revistas noticiosas, houve um recuo no modelo de assinaturas digitais, mostra o levantamento. Pouco mais da metade (52%) opera um modelo de remuneração, uma queda de 10 pontos percentuais em relação a 2017.

Mas o ritmo menos acelerado na implantação de paywalls se deve mais pelas decisões dos jornais da União Europeia, de acordo com o estudo. Entre 2017 e 2019, o número de paywalls nos veículos de comunicação dos países que integram a pesquisa (Finlândia, França, Alemanha, Itália, Polônia e Reino Unido) permaneceu praticamente estável, subindo apenas um ponto percentual, para 46% em 2019. Nos Estados Unidos, ao contrário, o levantamento registrou aumento mais acentuado. Cerca de 48% das empresas noticiosas norte-americanas agora trabalham com paywall (em 2017, eram 38%). Esse aumento deriva exclusivamente de jornais, dos quais 76% têm modelo de remuneração em vigor em 2019, 16 pontos percentuais a mais que em 2017.

Quase todas as agências de notícias digitais (94%), por sua vez, permanecem oferecendo conteúdos gratuitos. Da mesma forma, a maioria dos meios de comunicação nascidos digitalmente (também 94%) nos sete países pesquisados oferece acesso gratuito às notícias. A partir da análise apenas das organizações de notícias que operam com algum um modelo de pagamento, os preços variam de € 2 a € 41,50 por mês.

De muitas maneiras, afirmam os pesquisadores, 2018 foi um ano difícil para empresas de mídia, especialmente jornais, cujas receita dos impressos continuou a cair, enquanto, em média, a arrecadação via digital não compensou a diferença. “Neste cenário, estamos vendo uma divisão estratégica: muitos publishers (particularmente em mercados complexos e fragmentados) continuam a oferecer notícias online gratuitamente, enquanto grande parte do setor está fazendo um esforço renovado para implementar modelos de pagamento, bem como o sistema de doação”.

Leia mais em:

https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/our-research/pay-models-online-news-us-and-europe-2019-update

https://www.niemanlab.org/2019/05/across-seven-countries-the-average-price-for-paywalled-news-is-about-15-75-month/?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=003d1c84e8-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-003d1c84e8-386384393

https://blog.wan-ifra.org/2019/05/09/european-us-publishers-increasingly-turning-to-paywalls-reuters-research