The Boston Globe é o primeiro jornal local dos EUA com mais assinantes digitais que impressos Reprodução

The Boston Globe é o primeiro jornal local dos EUA com mais assinantes digitais que impressos

O jornal The Boston Globe, que inspirou o filme Spotlight, vencedor do Oscar em 2016, é o primeiro diário local dos Estados Unidos a contar com mais assinantes online do que no meio impresso. No primeiro trimestre de 2019, o jornal registou 112.241 assinaturas digitais, enquanto o número de assinantes na versão impressa ficou em 98.978 (em queda). O valor da assinatura online do The Boston Globe é atualmente de US$ 360 por ano, sem os descontos iniciais, e está entre os mais altos do mercado, muito próximo do que é cobrado por The Washington Post e The New York Times, por exemplo.

“Em geral, os jornais ainda ganham mais dinheiro de um assinante impresso do que de um digital”, comentou Joshua Benton, diretor do Nieman Journalism Lab, em texto publicado no Brasil pelo site Poder360. “Mas é uma estratégia importante e uma etapa mental mesmo assim. Deixa claro que agora você é uma organização digital de notícias com um produto impresso, não o contrário. Significa que, agora, sua audiência padrão é online, e a futura alocação de recursos irá refletir isso".

O The Boston Globe também superou recentemente outros três marcos considerados decisivos para a adaptação da imprensa à era digital, segundo do diretor do Nieman Lab: 1) faturar mais de fontes digitais do que impressas; 2) obter mais de leitores do que de publicidade; e 3) registrar crescimento no lucro, com a receita de fontes digitais compensando a queda das impressas. Este trio de conquistas, disse Benton, é algo que até então estava mais limitado a jornais nacionais e internacionais de grande porte.

O Financial Times, já superou essas três marcas, de acordo com Benton. "O The New York Times chegou aos números 2 e 3 e provavelmente irá conquistar o número 1 em algum momento no ano que vem. O Times of London conseguiu o número 3 e provavelmente está perto dos outros 2”, escreveu Benton. O The Washington Post e o The Wall Street Journal estão próximos dessas marcas.

Modelo alternativo

O diretor do Nieman Lab também fez referência ao diferenciado caso do jornal britânico The Guardian, cujos recentes resultados são outra notícia promissora para os publishers. No último ano fiscal (abril de 2018 a abril de 2019), o diário obteve seu primeiro resultado financeiro positivo em 20 anos – faturamento de 223 milhões de libras (R$ 1,14 bilhões) e 800 mil libras (R$ 4 milhões) de lucro operacional.

O The Guardian chegou ao resultado positivo com base em um ambicioso programa de leitores associados, em especial no digital, sem recorrer ao modelo mais usual de paywall. Em 2016, o jornal tinha 12 mil apoiadores. Hoje, são 650 mil e o número continua a crescer. Os pagamentos regulares, mensais, ou doações individuais únicas desses associados respondem hoje a 55% de todo o faturamento do The Guardian. Com esse tipo de modelo financeiro, segundo o Nieman Lab e o Poder360, o jornal manteve seu conteúdo aberto e sem cobrança de assinatura para quem deseja ler seus textos no meio online.

Leia mais em:

https://www.poder360.com.br/nieman/o-boston-globe-e-o-1o-jornal-local-a-ter-mais-assinantes-digitais-que-impressos/

https://newsandtech.com/dateline/boston-globe-digital-subscriptions-top-print/article_d9b43e06-8175-11e9-a37e-f73265c7a06a.html

https://www.niemanlab.org/2019/05/another-milestone-passed-for-newspapers-the-boston-globe-is-the-first-local-newspaper-to-have-more-digital-subscribers-than-print/