Inovação, tecnologia e múltiplas plataformas sustentam narrativas diferenciadas do jornal The Washington Post Reprodução

Inovação, tecnologia e múltiplas plataformas sustentam narrativas diferenciadas do jornal The Washington Post

O jornal norte-americano The Washington Post ocupa, desde que foi adquirido em 2013 pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, uma posição de liderança em inovação e no uso de tecnologia para a produção e distribuição de conteúdo jornalístico. Esses esforços estão enraizados nas diferentes áreas e iniciativas do diário. Uma das frentes de destaque, segundo o diretor de produtos da redação, Greg Barber, reside na experimentação de narrativas mais envolventes para as reportagens do jornal, incluindo múltiplas plataformas. Durante o 71º Congresso Mundial de Jornais, realizado pela Associação Mundial de Jornais (WAN-IFRA), em Glasgow, na Escócia, Barber detalhou seis dessas iniciativas inovadoras.

1. Diferentes formatos para reportagens profundas, apresentadas em pacotes multimídia

As reportagens do The Washington Post são frequentemente apresentadas em uma mistura de textos, vídeos, áudios e gráficos produzidos por equipes diferentes trabalhando juntas, dando ao público uma variedade de conteúdo. 'Gone In A Generation' é exemplo disso. A série demonstra como a mudança climática afetou a vidas dos norte-americanos e leva o público a uma viagem pelos Estados Unidos com efeitos sonoros e vídeo, com efeitos de iluminação. 'Murder with Impunity', uma análise de quase 55 mil assassinatos na última década em 55 das maiores cidades norte-americanas é outro destaque. Reuniu onze repórteres, artistas, editores, fotógrafos e designers na criação de uma série textos, vídeos e mapas de dados que permitiram aos leitores a exploração dos bairros onde os crimes ocorreram..

2. Narrativas incomuns

O The Washington Post experimentou o jornalismo não convencional ao relatar nove temas em formatos incomuns. O jornal retratou fatos e promoveu a interação entre leitores por meio de poemas, canções, jogo de tabuleiro e quadrinhos, entre outros.

3. Documentários e realidade virtual

'The Assassination of Jamal Khashoggi,' por exemplo, narra os acontecimentos em torno do assassinato do jornalista saudita e colaborador do The Washington Post. O vídeo de 25 minutos é acompanhado por um cronograma digital manuseável sobre o crime e o desenrolar dos acontecimentos, ligando a várias outras reportagens do jornal sobre o mesmo tema. A realidade virtual desempenhou um papel essencial no mergulho da redação em documentários como o '12 Seconds of Gunfire ', sobre um tiroteio em escola e exibido no Tribeca Film Festival.

4. Reportagens e serviços com base em dados

Um guia ilustrado de todas as 6.887 mortes da série 'Game of Thrones', da HBO, pode não ser o que se esperaria ver no site do The Washington Post, mas o recurso foi usado com sucesso, permitindo ao público baixar todos os dados, em uma maneira divertida de cobrir a série, com interatividade, ao longo das oito temporadas da produção. O banco de dados inclui quem, como, o motivo pelo qual e onde cada encontro sangrento ocorreu. Gráficos especialmente desenhados representam cada personagem.

5. Uso de mídias sociais

Em abril, o diário lançou um canal ao vivo no WhatsApp dedicado à cobertura das eleições de seis semanas da Índia. Diante da desinformação verificada em aplicativos de mensagens, foi uma oportunidade para oferecer informações seguras ao público. O jornal também tem explorado canais ligados aos games online, garantindo mais proximidade ao público jovem.

6. Podcasting com 'Post Reports'

O The Washington Post fez um movimento para o podcast diário com 'Post Reports'. O objetivo é aproximar o público das pessoas por trás das reportagens e, também, dos jornalistas que relatavam sobre elas.