Google e Facebook sugaram os lucros dos jornais, mas os publishers estão finalmente resistindo Reprodução

Google e Facebook sugaram os lucros dos jornais, mas os publishers estão finalmente resistindo

A iniciativa bipartidária que abriu caminho para investigações antitruste nos Estados Unidos sobre as grandes empresas de tecnologia, como Google e Facebook, conforme anunciado no começo desta semana, também fortaleceu uma possível alteração na legislação norte-americana em um surpreendente apoio dos políticos à indústria jornalística. A mudança na lei de concorrência, em debate na Câmara e no Senado norte-americanos, daria fôlego aos jornais – em especial os locais –, que encontram enormes dificuldades para monetizar diante de um mercado de publicidade digital dominado pelo duopólio das gigantes do Vale do Silício.

“Republicanos e democratas no Congresso parecem concordar com quase nada nos dias de hoje. É por isso que é surpreendente ver apoio bipartidário para algo que você acha que seria impopular para os políticos: os próprios jornais locais que responsabilizam as autoridades eleitas”, escreveu nesta quarta-feira (5) a jornalista Margaret Sullivan, colunista especializada em mídia do jornal The Washington Post. "Parece que estamos chegando a algum lugar", disse David Chavern, presidente e CEO da News Media Alliance, que reúne mais de 2 mil veículos da imprensa dos Estados Unidos e do Canadá, contou Margaret.

A legislação que está em discussão entre os parlamentares norte-americanos, destacou a jornalista do The Washington Post, forneceria um “porto seguro” temporário para os publishers – uma espécie de isenção antimonopólio de quatro anos para os produtores de notícias, enquanto negociam com o Google e o Facebook sobre como a monetização do jornalismo distribuído pelas empresas digitais e como os dólares de publicidade são repartidos.

Neste caso, republicanos e democratas estão falando a mesma língua. Os senadores John Neely Kennedy (republicano) e Amy Klobuchar (pré-candidato democrata à Casa Branca) são os autores de projeto de lei que tramita no Senado garantindo aos publishers uma frente em bloco na negociação dos termos de distribuição de conteúdo por parte das companhias digitais, alterando os padrões antitruste. Matéria semelhante, também de autoria bipartidária, está em debate na Câmara.

Kennedy, de acordo com Margaret, disse ver o duopólio de Google e Facebook como algo muito prejudicial ao jornalismo. "Eles [os dois gigantes digitais] se opuseram aos jornais em uma batalha entre Davi e Golias, na qual os jornais não têm uma pedra para lançar, muito menos um estilingue para colocá-la", disse o parlamentar em comunicado. "Os leitores são os verdadeiros perdedores, enquanto as redações estão vazias em todo o país", completou.

Cerca de 1,8 mil jornais locais dos Estados Unidos encerraram suas operações desde 2004, segundo estudo da Universidade da Carolina do Norte. Muitos dos que restaram – algo em torno de 7 mil – estão ameaçados. As redações perderam quase metade de suas equipes entre 2008 e 2017, mostra estudo do Pew Research Center.

Google e Facebook deram às organizações de mídia novas e populares formas de distribuir seu jornalismo, mas absorveram a maior parte da receita de publicidade. Ao mesmo tempo, lembrou Margaret Sullivan, as empresas de tecnologia também se beneficiaram ao atraírem lucrativos públicos lucrativos por meio do jornalismo produzido por repórteres locais. Além disso, no deserto noticiosa criado pela quebra dos jornais locais, estudos mostram que é menos o engajamento cívico diminui, enquanto a desinformação prospera.

As autoridades antitruste dos EUA determinaram suas jurisdições para possíveis investigações sobre Google, Facebook, Amazon e Apple, de acordo com duas pessoas informadas sobre o assunto, em um desdobramento que eliminou mais de US$ 130 bilhões do valor de mercado dos gigantes da tecnologia na últimas segunda-feira (3). Acordo entre o Departamento da Justiça e a Comissão Federal do Comércio ( FTC, na sigla em inglês) permite investigações antitruste sobre as quatro empresas, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

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