Assédio digital contra jornalistas do sexo feminino limita o direito de acesso à informação, dizem entidades Reprodução

Assédio digital contra jornalistas do sexo feminino limita o direito de acesso à informação, dizem entidades

Relatório da Anistia Internacional de 2018 revelou que jornalistas do sexo feminino (e representantes políticas) foram submetidas, no ano passado, a alguma forma de abuso no Twitter a cada 30 segundos. Pesquisa global conduzida em conjunto pela International Women’s Media Foundation e TrollBusters descobriu que quase um terço das mulheres jornalistas consideram deixar a profissão devido a ataques e ameaças online. Esse assédio digital, diz Maria Salazar Ferro, diretora de emergências do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), tem impacto sobre as profissionais afetadas, mas também é um ataque direto à liberdade de imprensa e à independência, resultando em várias limitações ao direito de acesso à informação. A Rede de Jornalistas Internacionais (IJNet, na sigla em inglês) listou algumas delas a partir de análise do CPJ:

Histórias importantes podem nunca ser contadas

Ser um alvo de assédio pode ser desgastante, o que leva um custo psicológico terrível ao repórter, à redação e a outros colegas do mesmo tempo. “Uma consequência muito tangível é a censura: as pessoas não relatam uma certa história porque têm medo dos ataques”, explica Maria Salazar Ferro, do CPJ. “Eu realmente falei com pessoas que disseram que não reportaram algo ou que evitaram uma história por medo das consequências.”

Os poderosos não são responsabilizados

Jornalistas são vigilantes trabalhando para promover transparência e responsabilidade. Como tais, podem ser vítimas de estratégias de silenciamento quando ameaçam interesses poderosos ou expõem governos ou figuras importantes em nome do interesse público. É o que acontece nas Filipinas, por exemplo, onde o Rappler, a organização jornalística premiada da jornalista Maria Ressa, foi alvo de uma série de processos judiciais por parte do regime autoritário do presidente Rodrigo Duterte.

Nem todas as técnicas de silenciamento são evidentes, relata a mas mesmo tentativas mais sutis, como ameaçar iniciar uma ação judicial (talvez contra um jornalista cidadão ou um freelancer sem uma grande organização de notícias apoiando por trás) ou interferir na vida pessoal de um repórter podem afetar o trabalho de prestação de contas por jornalistas em todos os níveis.

A pluralidade da mídia está em risco

O assédio pode contribuir para que as mulheres recuem de campos tradicionalmente dominados por homens, resultando em ainda menos vozes femininas. “Nós sabemos que mulheres jornalistas são desproporcionalmente vítimas do assédio online”, diz Maria Salazar Ferro. “[E] é definitivamente mais comum quando mulheres jornalistas trabalham cobrindo editorias como esportes. Então, sim, eu acho que [assédio] leva a uma disparidade [maior de gênero] na redação.”

É provável, informa a IJNet, que um mecanismo similar afete outras minorias que trabalham em redações, como jornalistas LGBTQ. O CPJ destaca que cobrir as questões LGBTQ traz um risco maior de ameaças e retaliações. O relatório da Anistia Internacional de 2018 também descobriu que as mulheres de minorias raciais são alvos desproporcionais em ondas de assédio online, sendo 34% mais propensas a serem mencionadas em postagens abusivas ou problemáticas do que mulheres brancas -- e para mulheres negras, especificamente, a porcentagem sobe para 84%,

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https://ijnet.org/pt-br/story/como-o-ass%C3%A9dio-contra-jornalistas-afeta-not%C3%ADcias