Desinformação nas redes sociais e polarização política reduzem confiança dos brasileiros no meio digital, diz Instituto Reuters Reprodução

Desinformação nas redes sociais e polarização política reduzem confiança dos brasileiros no meio digital, diz Instituto Reuters

A desinformação espalhada nas redes sociais e a polarização política evidenciada na última eleição reduziram em onze pontos a confiança dos brasileiros na mídia online em geral (de 59% em 2017 para 48% no ano passado), revela nova pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo (RISJ, na sigla em inglês), da Universidade de Oxford. A mais recente edição do estudo Digital News Report indica, entretanto, que o jornalismo profissional tem relevância para a população. Entre os pesquisados, 56% concordam que a imprensa monitora e escrutina os poderosos, o mais alto índice global. Além disso, houve crescimento de 33% nas assinaturas digitais das dez principais organizações de notícias do país, com 22% dos entrevistados relatando pagar por notícias online.  

A confiança dos brasileiros em relação às informações online em geral (de 48%) está acima da média (42%) das 75 mil pessoas consultadas em 38 países. Ao mesmo tempo, o brasileiro é o mais preocupado em discernir o conteúdo verdadeiro do falso na internet: 85% relataram essa preocupação, contra 55% na média geral. Os pesquisados no Brasil também são os que mais evitam o compartilhamento de notícias não confiáveis (61%) nas redes sociais.

O meio online, incluindo fontes jornalísticas e mídia interativas, é o mais procurado pelos brasileiros (87%) que buscam notícias, segundo o estudo. Logo depois estão a televisão (73%), as redes sociais (64%) e os veículos impressos (27%). No digital, a busca por notícias nos smartphones (77%) ultrapassou a procura via computador (55%). Há cinco anos, segundo o site de notícias Poder360, apenas 23% usavam o celular para se informar.

No recorte global, a pesquisa mostra que houve ligeiro aumento na proporção paga por notícias online, mas há uma tendência de os pagantes por conteúdo noticioso limitarem seus investimentos em apenas um veículo. Em paralelo, o número de pessoas que diz evitar notícias de forma ativa no meio digital subiu de 29% em 2017 para 32% no ano passado.

Mesmo entre aqueles que pagam, há a “fadiga de assinatura”, alerta a pesquisa. “Grande parte da população está perfeitamente satisfeita com as notícias que tem acesso de graça e mesmo entre aqueles que estão dispostos a pagar, a maioria só está disposta a se inscrever para uma assinatura”, disse Rasmus Kleis Nielsen, diretor do Instituto Reuters.

Essa limitação também está associada ao interesse das pessoas por provedores de entretenimento, como Netflix, Spotify, Apple Music e Amazon Prime.

“Em alguns países, a fadiga de assinaturas também pode estar se instalando, com a maioria preferindo gastar seu orçamento limitado em entretenimento (Netflix/Spotify) em vez de notícias”, disse Nic Newman, pesquisador associado sênior do Instituto Reuters. “Não surpreendentemente, as notícias aparecem no final da lista quando comparadas com outros serviços como Netflix e Spotify, especialmente para a metade mais jovem da população”, observou o pesquisador.

O estudo indica ainda que o uso de mídias interativas está se tornando mais privado, com aumento dos grupos fechados em redes sociais e preferência pelos aplicativos de mensagens. O WhatsApp (do Facebook), por exemplo, é agora a principal ferramenta de comunicação social em muitos países, incluindo o Brasil (53%, um aumento de cinco pontos em relação à edição de 2018 da pesquisa), Malásia (50%) e África do Sul (49%).

Leia mais em:

https://www.poder360.com.br/opiniao/midia/cai-a-confianca-em-noticias-mas-midia-tradicional-resiste-escreve-juliano-nobrega/

https://www.niemanlab.org/2019/06/even-people-who-like-paying-for-news-usually-only-pay-for-one-subscription/

https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/risj-review/digital-news-report-2019-out-now

https://br.reuters.com/article/entertainmentNews/idBRKCN1TD1XA-OBREN