Imprimir esta página
Entidades exigem do governo do México plano de proteção aos jornalistas Reprodução

Entidades exigem do governo do México plano de proteção aos jornalistas

O assassinato da jornalista investigativa Norma Sarabia, na última terça-feira (11), elevou a pressão de entidades de defesa ao jornalismo para que o governo do México, do presidente Andrés Manuel López Obrador, estabeleça um sistema de proteção mais eficaz aos profissionais de comunicação. Essa era a expectativa quando o atual mandatário assumiu o governo, em dezembro de 2018, substituindo o então presidente Enrique Peña Nieto, cuja gestão foi marcada pela violência contra a imprensa. Desde a posse de López Obrador, porém, o número de comunicadores mortos já chega a nove, de acordo com algumas organizações.

"Enquanto comunicadores são brutalmente assassinados e sequestrados, as autoridades mexicanas parecem incapazes de conter a violência que atingiu a imprensa em todo o país", disse Jan-Albert Hootsen, representante do Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) no México. "O governo do presidente Andrés Manuel López Obrador não pode continuar atrasando a apresentação de um plano abrangente para combater a impunidade nos crimes contra jornalistas”, afirmou.

Hootsen destacou que alta impunidade no país resulta em mais violência contra a imprensa. “A taxa de impunidade para crimes cotidianos é de cerca de 90%. No caso de crimes contra os repórteres, especialmente os letais, é de quase 100%”, afirmou o representante do CPJ.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) é outra entidade que tem cobrado uma política do governo mexicano capaz de frear os crimes contra a imprensa. A presidente da SIP, María Elvira Domínguez, instou recentementeo presidente López Obrador a "mostrar vontade política para cumprir o seu dever de proteger profissionais de imprensa". Ela também cobrou das autoridades mexicanas a correção imediata no sistema de proteção de segurança dos comunicadores do país, assim como a investigação dos crimes e o fim da impunidade.

Mais de 100 jornalistas mexicanos foram mortos desde 2000, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México. Em maio, a organização Repórteres Sem Fronteira (RSF) classificou o país como o mais letal para a imprensa em 2019, mesmo sem estar em guerra.

Leia mais em:

 https://cpj.org/es/2019/06/asesinan-a-la-periodista-mexicana-norma-sarabia-en.php

https://www.sipiapa.org/notas/1213259-la-sip-condeno-asesinatos-periodistas-mexico-y-haiti