Estudo e reportagem sobre ganhos do Google com notícias são alvo de críticas Reprodução

Estudo e reportagem sobre ganhos do Google com notícias são alvo de críticas

Jornalistas e acadêmicos norte-americanos contestaram recente estudo da News Media Alliance (NMA), associação que reúne cerca de duas mil organizações de mídia nos Estados Unidos e no Canadá, sobre o faturamento do Google com o conteúdo produzido pelas empresas jornalísticas. As críticas também estão direcionadas ao jornal The New York Times, que publicou o levantamento.

O estudo da NMA, antes conhecida por Newspaper Association of America (NAA), sustenta que Google faturou US$ 4,7 bilhões com o setor de notícias em 2018 por meio do seu Google News. A pesquisa, produzida pela empresa de consultoria Keystone Strategy, tem por base uma estatística divulgada em 2008, quando uma executiva do Google – Marissa Mayer, que não está mais na empresa – estimou que o Google News arrecadava US$ 100 milhões por ano.

Um dos primeiros a criticar foi Aron Pilhofer, professor de jornalismo na Universidade Temple (Pensilvânia), ex-editor digital do The New York Times, informou a Folha de S.Paulo, que reproduziu a reportagem do jornal norte-americano no Brasil – o site da ANJ também publicou texto sobre o estudo, citando o jornal norte-americano e o material divulgado pela NMA. Pilhofer escreveu no Twitter: "Absurdo. Marissa Mayer faz um comentário improvisado em 2008 e de repente, uma década depois, o Google News responde por 3,3% da receita do Google? Bullshit [bobagem]".

Bill Grueskin, professor de jornalismo na Universidade Columbia (NY) que já atuou pelo The Wall Street Journal, tuitou posteriormente, com a divulgação da íntegra do estudo, que se confirmava a "impressão inicial de que o número mal fica em pé". Emily Bell, diretora do Centro Tow para o Jornalismo Digital (Columbia) e colunista do jornal britânico The Guardian, disse que falar sobre "o efeito da indústria de notícias em termos de dinheiro, para Google e Facebook, não ajuda muito". Defendeu mais atenção à "concentração de dinheiro e dados no mercado publicitário".

O site do Nieman Lab, centro de estudos de jornalismo ligado à Universidade Harvard, criticou tanto a extrapolação matemática que levou ao "número imaginário" de US$ 4,7 bilhões quanto a "estimativa" em que se baseou, segundo a Folha de S.Paulo. Mathew Ingram, editor-chefe da área digital do site Columbia Journalism Review (CJR) criticou o The New York Times por "promover estudo questionável" de "grupo de lobby da indústria de mídia". Ouvido pelo jornalista, um porta-voz do jornal disse que a reportagem é "justa e precisa", até pela menção que faz ao vínculo do diário à NMA.

O estudo da NMA foi divulgado dois dias antes de uma audiência na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre a relação entre as grandes empresas de tecnologia e a mídia. A NMA defende a aprovação do Journalism Competition and Preservation Act, projeto de lei que tramita no Congresso norte-americano e que trata da preservação e competição da indústria jornalística no país. O projeto prevê uma isenção temporária (de quatro anos) das empresas de produção de conteúdo jornalístico a sanções antitruste, de modo que elas possam negociar coletivamente junto às gigantes digitais na direção de uma divisão na receita obtida com as notícias. 

Impacto “devastador”

Independente da polêmica em relação à cifra estimada pela NMA para o Google News, o impacto negativo das vantagens competitivas dos gigantes digitais é evidente. E os jornalistas, não apenas as empresas de comunicação, estão empenhados em mostrar os danos gerados pela ação monopolista de empresas como Google e Facebook.

O Save Journalism Project, criado por profissionais da imprensa, por exemplo, lançou na semana passada uma nova peça publicitária para o meio digital detalhando o efeito “devastador do Google e o controle do Facebook sobre o setor de jornalismo”.

Leitores anônimos

Ao mesmo tempo, as empresas digitais continuam a se mover de forma a reduzir ainda mais as oportunidades dos publishers no meio online. É o que vai acontecer em 30 de julho, quando a nova versão do Google Chrome for lançada.

Na sua edição atualizada, o navegador vai bloquear a capacidade dos publishers de detectar um navegador anônimo, classificada pelo Google como uma falha no sistema. A prática, porém, é importante para as métricas dos produtores de conteúdo com paywalls moderados, que permitem a leitura gratuita apenas de um número determinado de textos.

A mudança, projeta o site Nieman Lab, pode pressionar publishers a modelos de pagamento mais rigorosos, nos quais a leitura está condicionada a registro. Jornais como The New York Times, Los Angeles Times e The Boston  Globe empregam alguma versão capaz de verificar a ação de um receptor anônimo.

Leia mais em:

https://www.cjr.org/the_new_gatekeepers/nyt-google-media.php

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/06/reportagem-sobre-google-news-e-alvo-de-critica.shtml

https://www.nytimes.com/2019/06/09/business/media/google-news-industry-antitrust.html?utm_medium=email&utm_campaign=Newsletters&utm_source=sendgrid 

https://www.newsmediaalliance.org/release-new-study-google-revenue-from-news-publishers-content/

https://www.newsmediaalliance.org/google-study-oped/  

https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,google-ganha-us-4-7-bi-por-ano-com-noticias-aponta-estudo,70002865618

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/06/google-faturou-us-47-bilhoes-com-setor-de-noticias-em-2018-diz-estudo.shtml

https://www.niemanlab.org/2019/06/publishers-will-soon-no-longer-be-able-to-detect-when-youre-in-chromes-incognito-mode-weakening-paywalls-everywhere/?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=a0440e6e7b-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-a0440e6e7b-386384393

https://savejournalism.org/2019/06/19/save-journalism-project-launches-new-video-ad-exposing-dangers-of-big-tech-monopolies/

https://savejournalism.org/learn/