Maior projeto de checagens de desinformação na web do Brasil retoma atividades

Maior projeto de checagens de desinformação na web do Brasil retoma atividades

Estreou nesta semana a segunda fase do Projeto Comprova, o maior projeto colaborativo da imprensa brasileira para a checagem de notícias falsas sobre políticas públicas no Brasil. Um dos maiores desafios dos jornalistas dos 24 veículos que integram a nova etapa do programa, cuja primeira fase ocorreu durante a campanha eleitoral de 2018, é identificar e relatar com precisão os detalhes utilizados pelos produtores de fraudes para enganar as pessoas e obter a multiplicação da desinformação.

A primeira verificação, publicada na terça-feira (16), por exemplo, revela que um texto que circula em redes sociais sobre a economia chilena mistura informações verdadeiras e falsas para concluir de forma enganosa que os bons índices no país têm relação com uma “quase extinção dos socialistas” e contaram com a ajuda do atual ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes. “O objetivo do Comprova não é simplesmente desmentir determinados boatos, mas mostrar as características que evidenciam sua falsidade e que são comuns a diversos conteúdos enganosos”, diz Daniel Bramatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entidade que coordena o projeto ao lado do First Draft, organização de pesquisa e combate a desinformação na internet.

Assim como durante as eleições de 2018, o público poderá enviar ao WhatsApp do Comprova (11 97795-0022) conteúdos duvidosos para serem checados. A segunda etapa do Comprova é integrada pelos seguintes veículos: Agence France-Presse (AFP), Band TV, Band.com.br, BandNews FM, BandNews TV, Canal Futura, Jornal Correio, Correio do Povo, O Estado de S.Paulo, Exame, Folha de S.Paulo, GaúchaZH (Zero Hora), Gazeta Online, Jornal do Commercio, Metro Jornal, Nova Escola, NSC Comunicação, O Povo, Poder360, Rádio Bandeirantes, revista piauí, SBT e UOL.

Até dezembro de 2019, os jornalistas desses meios trabalharão em conjunto, em um mesmo ambiente virtual, sob a supervisão de editores do Comprova. O fluxo de cada checagem, explica a Abraji, é desenhado para aumentar a precisão e a confiabilidade: um dos jornalistas inicia a verificação, documentando as checagens que fez, as ferramentas que usou e as evidências que coletou. Outros jornalistas revisam o trabalho e confirmam ou oferecem sugestões sobre necessidade de mais informações. Para publicar uma reportagem, pelo menos três parceiros têm que confirmar as descobertas do primeiro verificador.

O conteúdo produzido pelo Comprova durante as eleições de 2018 chegou a um entre quatro internautas brasileiros. Foram 147 verificações publicadas (92% desmentiram conteúdos falsos ou enganosos), selecionadas dentre quase 70 mil perguntas e sugestões recebidas por meio do WhatsApp.

Uma enquete com o público mostra que 40% declararam que o Comprova os ajudou a decidir seus votos. Mais de 70% dos respondentes compartilhou ou discutiu as verificações do Comprova para informar alguém. 80% das pessoas disseram confiar no conteúdo produzido pela iniciativa.

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https://abraji.org.br/projeto-comprova-retoma-atividades-e-ja-produz-a-primeira-checagem-da-nova-fase