Facebook financia o jornalismo que está matando em busca de melhor imagem junto a reguladores, diz jornalista da Universidade Columbia Reprodução

Facebook financia o jornalismo que está matando em busca de melhor imagem junto a reguladores, diz jornalista da Universidade Columbia

O Facebook anunciou na última quarta-feira (17) as primeiras 23 organizações jornalísticas locais ou iniciativas comunitárias que receberão recursos do projeto da rede social para o apoio desse tipo de jornalismo, em um valor total de US$ 1,5 milhão em 2019. Na origem da generosidade, cuja cifra não chega a 1% da receita gerada pela gigante do Vale do Silício em um único dia, entretanto, reside uma relação no mínimo traiçoeira, escreve o jornalista Mathew Ingram, editor-chefe da área digital do site Columbia Journalism Review (CJR), da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia: o aporte do Facebook é dirigido para as empresas que, na prática, a rede social está matando ao ficar com a maioria esmagadora dos investimentos publicitários, formando os chamados “desertos de notícias”. Além disso, diz Ingram, parece ser mais uma estratégia de relações públicas do Facebook.

Ao defender seu projeto, denominado Facebook Journalism Project Community Network, a rede social norte-americana, afirma Ingram, diz que se preocupa com o jornalismo local porque esse tipo de mídia trata, no fundo, sobre as comunidades, assim como promete ser a empresa de Mark Zuckerberg. “Mas o principal benefício parece ser o fato de que a empresa consegue replicar seus releases ao lado de comentários generosos de todos os empreendimentos que está ajudando, e isso faz com que pareça boa em um momento em que está sob o fogo do Congresso [norte-americano] tanto por seu poder de mercado quanto pelo seu papel na disseminação da desinformação”.

Não surpreende, segundo Ingram, que startups e players hiperlocais como os escolhidos para receber “a generosidade” do Facebook celebrem o fato como uma vitória, já que o financiamento da empresa permitirá que eles façam coisas que de outra forma não conseguiriam – em muitos casos, a simples sobrevivência. “Mas há um elefante na sala: o fato de que o Facebook é uma das principais razões pelas quais a indústria da mídia está tão desesperada, já que controla uma parcela significativa do mercado de anúncios e a atenção de bilhões de usuários diários”.

Ingram sustenta que os meios de comunicação, grandes e pequenos, estão lutando para sobreviver e, por isso, a parceria com empresas como Facebook e Google é algo tão atraente. “Eles [a companhias de tecnologia] têm dinheiro e estão dispostos a gastá-lo! E, o melhor de tudo, parece não ter restrições. (...) Isso porque essas plataformas não se importam com o que acontece com o dinheiro, desde que consigam divulgar seus comunicados de imprensa e fazer com que pareçam bons aos olhos dos reguladores. Pode parecer uma vitória, mas não é. É um conflito de interesses gigantesco e espinhoso com um cheque anexo”.

Leia mais em:

https://www.cjr.org/the_media_today/facebook-local-journalism.php