Proposta do Facebook para licenciar notícias representa mudança na rede social, diz diretora do Centro Tow Reprodução

Proposta do Facebook para licenciar notícias representa mudança na rede social, diz diretora do Centro Tow

O Facebook pretende pagar a publishers para distribuir notícias em nova seção de sua plataforma, que estará disponível para usuários em guia separada, informou na semana passada o jornal The Wall Street Journal. Mas a grande mudança dessa decisão é o fato de que, para manter essa nova aba, o Facebook parece disposto a se responsabilizar pela curadoria ativa – que envolve edição – de conteúdos, diz Emily Bell, diretora do Centro Tow para o Jornalismo Digital, da Universidade Columbia. Para ela, isso pode representar uma alteração significativa na estratégia de negócios do Facebook em um momento no qual as organizações de notícias olham com grande ceticismo para as ofertas da empresa de Mark Zuckerberg.

Emily lembra que, enquanto Apple, LinkedIn, Twitter e outras empresas criaram equipes de curadoria editorial com graus variados de sucesso, o Facebook ficou sem uma redação central ou uma função de notícias para avaliar o mérito das matérias desde 2016. Naquele ano, a equipe de curadores de notícias da rede social foi dissolvida sob a pressão de ativistas de direita e políticos.

Agora, afirma a Emily, ainda que o seu julgamento editorial seja bastante misterioso, o Facebook reconhece que o fornecimento de notícias está dentro de sua competência ao anunciar uma aba de notícias. “Indiscutivelmente, o Facebook está aceitando algo que historicamente é ruim – cultivar relações com organizações de notícias – e ataca o problema com algo em que é extremamente bom – copiando e frequentemente melhorando os recursos oferecidos pelos concorrentes, neste caso, a Apple”, diz Emily.

O conceito de produto embutido na oferta que o Facebook faz agora é muito semelhante ao Apple News, que tem uma guia de notícias com curadoria e reportagens fornecidas pelos publishers. A Apple, entretanto, não paga aos editores – recentemente o aplicativo foi ajustado para facilitar as assinaturas digitais das publicações noticiosas –, enquanto o Facebook resolveu oferecer tudo o que muitos publishers queriam: o pagamento direto para o conteúdo que eles já produzem.

Emily afirma que não é possível afirmar no momento se as organizações noticiosas serão capazes de resistir à oferta do Facebook, mas é certo que nunca estiveram tão desconfiadas quanto agora. “Na última rodada de pesquisas do Centro Tow sobre a relação entre plataformas e editores, que será lançada em poucas semanas, nossos pesquisadores descobriram que um catálogo de iniciativas fracassadas deixou os editores mais cautelosos e sofisticados em suas ideias sobre plataformas".

O fracasso do Facebook Instant Articles, lançado em 2015, as desventuras do Facebook Live e a decepção geral das organizações de notícias dependentes de redes sociais, como o BuzzFeed e Mashable, diz a diretora do Centro Tow, criaram desilusão e desconfiança. O modelo emergente para os publishers é encontrar seus públicos-alvo longe das plataformas e em busca de receita de fontes que não podem ser retiradas pela alteração de algoritmo de terceiros. Mas, mesmo que a proposta do Facebook não seja um bom negócio para os publishers, ela enfatiza que “a integração lenta e forçada de notícias em grandes empresas de tecnologia continua”, afirma Emily Bell.

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