Empresas de notícias e organizações criam rede de jornalismo para investigar corrupção na América Latina Reprodução

Empresas de notícias e organizações criam rede de jornalismo para investigar corrupção na América Latina

Jornais, portais de notícias e organizações não-governamentais de sete países latino-americanos uniram-se para formar uma rede de jornalismo investigativo sobre casos de corrupção nacionais e internacionais. Denominada Rede Latino-Americana de Jornalistas por Transparência e Anticorrupção (Red PALTA, na sigla em espanhol), a associação pretende ser um “espaço de investigação e colaboração transfronteiriça” cujos membros “monitoram o uso do dinheiro público, identificam padrões de más práticas em governos e usam a tecnologia para analisar dados massivos e revelar casos de corrupção”, relata o Centro Knight.

Participam do grupo o jornal La Nación, da Argentina; la diaria, do Uruguai; El Faro, de El Salvador; Ojo Público, do Peru; Ojo con mi pisto, da Guatemala; Datasketch, da Colômbia; e a ONG Poder, do México. “[A Rede nasceu com] a intenção de esclarecer tudo o que se relaciona com os diferentes processos e gestão do dinheiro público e [estabelecer] uma conexão para o leitor sobre o uso desses processos e políticas públicas, com uma perspectiva de direitos humanos”, disse Lucía Pardo, gerente de produtos do portal uruguaio la diaria, ao Centro Knight.

A primeira investigação do grupo resultou na série investigativa “La leche prometida” (O leite prometido), que revela irregularidades, conflitos de interesse e casos de corrupção da distribuição de leite a populações carentes de países como Peru, El Salvador, Guatemala e Colômbia. "Um dos destaques dessa primeira investigação é que a corrupção, as práticas inadequadas de gestão ou o conflito de interesses entre os políticos afeta diretamente o cidadão mais vulnerável", afirmou Nelly Luna, editora geral do Ojo Público, ao Centro Knight. "O que isso nos mostra é que a corrupção e as más práticas institucionais estão violando alguns direitos fundamentais das populações mais pobres, como o direito a uma dieta justa e equitativa".

Em El Salvador, por exemplo, a investigação mostrou que o leite, destinado a escolas públicas, não estava atingindo todas as instituições. E, no caso das escolas que receberam o leite, foi em pó, sem considerar que muitas dessas instituições não têm acesso à água potável, segundo reportagem. No Peru e na Guatemala, relata o Centro Knight, a investigação mostrou conflitos de interesse e contratos de milhões de dólares no fornecimento deste produto. Enquanto no caso do Uruguai, a questão tinha uma perspectiva mais econômica. Por exemplo, o relatório dizia que o Estado não concedeu subsídios às empresas de agricultura familiar, embora a lei permita.

Como costuma acontecer no jornalismo colaborativo, a rede teve coordenadores editoriais e técnicos escolhidos entre os membros de cada meio de comunicação. Esse papel pode variar de acordo com o tópico a ser investigado, bem como com os pontos fortes de cada meio de comunicação. "Também porque todo mundo tem perfis diferentes", acrescentou Luna. “Existem meios de comunicação que têm um peso muito forte na parte jornalística investigativa e narrativa, outras organizações têm um componente tecnológico muito mais forte que sustenta a infraestrutura do que a rede pode se tornar no futuro. E parte dessa definição de funções também é reconhecer quais são esses perfis diferenciais de cada uma das organizações para não duplicar esforços e, ao invés, aprimorar ainda mais as características de cada uma”, disse Nelly Luna.

 

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