Gigantes de tecnologia devem estar sujeitos às mesmas responsabilidades que a mídia, afirmam publishers da França Reprodução

Gigantes de tecnologia devem estar sujeitos às mesmas responsabilidades que a mídia, afirmam publishers da França

O modelo democrático da imprensa, no qual é dever do jornalismo informar os cidadãos para que possam, de forma livre, formarem opinião e fazerem suas escolhas, está ameaçado pelas redes sociais. O alerta é do bilionário tcheco Daniel Kretinsky, proprietário de organizações de notícias na República Tcheca e na França. "Precisamos de ação legislativa. (...) Uma página do Facebook que tem centenas de milhares de fãs deve estar sujeita às mesmas responsabilidades que a mídia", disse Kretinsky ao defender a regulação das gigantes de tecnologia em recente encontro da indústria de comunicação francesa.  

Daniel Kretinky, que na França é sócio do influente jornal Le Monde e proprietário do semanário Marianne, afirmou que a tecnologia digital contribui para a humanidade, mas também abriu as portas para “fluxos maciços e selvagens” de informações de legitimidade desconhecida. "Hoje, alguns cidadãos, especialmente jovens, não obtêm informações do jornalismo tradicional. E vemos, em toda a Europa, que acabam votando em populistas ou amadores que não sabem nada sobre política. Isso tem sérias consequências e é uma tendência que pode acelerar", enfatizou.

O empresário defendeu a cooperação entre as organizações de notícias para fazer frente a empresas como Facebook e Google. "O problema comum para a mídia europeia é a falta de poder financeiro, o que limita drasticamente os investimentos necessários nas ferramentas e tecnologias necessárias para a era digital", afirmou. "Os grupos de mídia europeus precisam encontrar uma maneira de cooperar e desenvolver suas próprias ferramentas juntos, especialmente no campo social", concluiu.

Pierre Louette, CEO do grupo Les Echos-Le Parisien, sustentou a tese segundo o qual os publishers não devem fornecer conteúdo gratuito às empresas de tecnologia “que permita capturar o tempo cerebral dos usuários da Internet e as receitas de publicidade que o acompanham”. Louette defendeu, em artigo no Les Echos também assinado por Raphael de Andreis – presidente da entidade que reúne empresas francesas compradoras de mídia, um novo pacto na indústria da comunicação da França para estabelecer equilíbrio, “onde todos possam encontrar um lugar duradouro”.

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https://www.lesechos.fr/idees-debats/cercle/2019-annee-dun-new-deal-pour-les-medias-1129123

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