Jornalistas perseguidas pelos governos de seus países recebem prêmio da organização Repórteres sem Fronteiras Reprodução

Jornalistas perseguidas pelos governos de seus países recebem prêmio da organização Repórteres sem Fronteiras

Três mulheres foram homenageadas com a edição deste ano do Prêmio para a Liberdade de Imprensa da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF). Dividida em três categorias, a premiação foi entregue nesta quinta-feira (12), em cerimônia realizada em Berlim, na Alemanha, à saudita Eman al Nafjan, à vietnamita Pham Doan Trang e à maltesa Caroline Musca. As três jornalistas foram perseguidas após críticas aos governos de seus países.

O Prêmio da Coragem, que recompensa um jornalista, um meio de comunicação ou uma organização por ter demonstrado coragem no exercício, defesa ou promoção do jornalismo, foi concedido à jornalista saudita Eman al Nafjan. Fundadora do site SaudiWoman.me, e autora de inúmeros artigos na imprensa internacional, incluindo no The Guardian e no The New York Times, Eman al Nafjan esteve na linha de frente da campanha pelo direito das mulheres sauditas de dirigir e para acabar com o sistema repressivo de tutela masculina na Arábia Saudita.

Em maio de 2018, a jornalista foi presa com outras ativistas feministas, antes de ser colocada em liberdade condicional em 28 de março último. Segundo a imprensa saudita, ela foi acusada de minar a "segurança nacional" e ter estabelecido "contatos suspeitos com entidades estrangeiras". Considerada uma "traidora", ela pode pegar até 20 anos de prisão.

Pham Doan Trang foi homenageada com o Prêmio pelo Impacto, que recompensa um jornalista cujo trabalho permitiu a melhora concreta da liberdade de imprensa, da independência e do pluralismo do jornalismo ou ainda maior conscientização sobre este tema. A jornalista e blogueira fundou a revista jurídica online Luât Khoa e coordena a redação da thevietnamese – duas publicações que permitem aos leitores conhecer as leis do país para defender seus direitos. Ela também é autora de muitos livros, um dos quais ajudou a promover os direitos das comunidades LGBT país. Seu trabalho a levou a ser duas vezes espancada e mantida pela polícia por vários dias em detenção arbitrária em 2018.

O Prêmio da Independência, que recompensa jornalistas por sua resistência frente às pressões financeiras, políticas, econômicas ou religiosas, foi concedido à maltesa Caroline Muscat. Após o assassinato de Daphne Caruana Galizia, essa jornalista criou o The Shift News, um veículo de comunicação investigativo independente online, comprometido com a luta contra a corrupção e a defesa da liberdade de imprensa em Malta. Caroline Muscat revelou os muitos casos de corrupção que envolvem líderes políticos da ilha.

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