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Marcas anunciantes aparecem ao lado de falsas curas de câncer espalhadas no YouTube Reprodução/Reuters

Marcas anunciantes aparecem ao lado de falsas curas de câncer espalhadas no YouTube

Recente investigação da BBC descobriu mais de 80 vídeos com desinformação em relação à saúde, em particular falsas promessas de cura do câncer, em dez idiomas diferentes no YouTube, do Google. Juntos, os vídeos – muitas vezes impulsionados pelo algoritmo de recomendação – somavam milhões de visualizações, gerando receita para seus criadores e para a rede social. A reportagem mostrou que marcas de grandes anunciantes, como Kraft Heinz e Samsung, foram veiculadas ao lado dos vídeos enganosos.

A exposição dos usuários e marcas à tamanha desinformação é recorrente, ainda que o Google prometa uma solução para o problema há mais de um ano. Também está na contramão de estudos segundo os quais os consumidores exigem cada vez mais transparência na coleta e uso de seus dados.

A pesquisa feita pela reportagem da BBC abordou o conteúdo exibido em árabe, francês, alemão, hindi, italiano, persa, português, russo e ucraniano. Constatou, por exemplo, que uma simples busca por “tratamento do câncer” em russo estava vinculada a vídeos que defendiam o consumo de bicarbonato de sódio, o que, por sua vez, levou a recomendações para outros tratamentos não comprovados, como suco de cenoura ou jejum extremo.

Um vídeo brasileiro cujo título diz que aranto, uma planta de origem africana, cura câncer, tem mais de 3 milhões de visualizações. Não é uma afirmação verdadeira, uma vez que não há estudos científicos que a comprovem. Outras "curas" sem respaldo científico encontradas pela BBC envolvem o consumo de substâncias específicas, como cúrcuma ou bicabornato de sódio. Ou então: dietas de sucos, jejum, leite de burra ou apenas água fervente.

Pesquisador de câncer na Universidade Oxford, no Reino Unido, o médico David Robert Grimes explica que, diferentemente das curas falsas divulgadas no YouTube, "a medicina é cuidadosamente regulada, rigorosa e objetiva". "Fazemos pesquisas científicas para verificar se algo funciona. Se funciona, pode virar um remédio, e isso é testado de novo e de novo e de novo", afirma. "Isso não acontece no campo da chamada medicina alternativa. Você tem que simplesmente acreditar no que alguém está dizendo", observa. "Quem oferece uma 'cura mágica' para o câncer está mentindo. Quando as pessoas oferecem soluções fáceis para questões complicadas, devemos desconfiar."

“A desinformação é um desafio difícil, e nós tomamos diversas medidas para endereçar isso, incluindo mostrar mais conteúdo confiável sobre questões médicas, exibindo painéis de informação com fontes confiáveis e removendo anúncios de vídeos que promovam afirmações danosas”, informou em nota o YouTube. “Nossos sistemas não são perfeitos, mas estamos constantemente fazendo melhorias e permanecemos comprometidos para progredir nesse espaço".

A empresa anunciou em janeiro que iria "reduzir recomendações de conteúdo  borderline  (no limite do aceitável) e conteúdo que poderia desinformar usuários de forma danosa — como vídeos promovendo uma falsa cura milagrosa para uma doença séria". Mas isso, até agora, apenas em inglês, relatou a BBC. Mudanças em outras línguas ainda não foram anunciadas.

Mais transparência; mais credibilidade

Novo estudo global mostra que os usuários estão preocupados com o compartilhamento de seus dados pessoais. O levantamento, feito com 10 mil pessoas em dez mercados a pedido da ESOMAR e da HERE Technologies, entretanto, revela que as marcas com políticas transparentes sobre suas práticas de coleta de dados têm mais chance de conquistar a confiança dos consumidores.

A preocupação com o compartilhamento de dados pessoais permanece alta, por exemplo, nos Estados (80%) e no Reino Unido (74%). No entanto, segundo o estudo, três em cada quatro consumidores nos dois países provavelmente compartilharão dados pessoais se entenderem que as informações serão armazenadas com segurança.

Embora a grande maioria dos consumidores (87%) aceite que é de sua responsabilidade conhecer as organizações com as quais compartilham dados, a maioria "não se sente preparada para cumprir essa responsabilidade", constatou o estudo. Três em cada quatro consumidores dos Estados Unidos e do Reino Unido concordam que é "difícil encontrar informações sobre a melhor forma de proteger minha privacidade", uma visão amplamente compartilhada em outros mercados globais, segundo o levantamento.

Leia mais em:

https://epoca.globo.com/mundo/promessas-falsas-de-cura-do-cancer-geram-milhoes-de-visualizacoes-lucro-no-youtube-23945627

https://martechseries.com/analytics/behavioral-marketing/location-data/new-research-suggests-data-transparency-can-significant-positive-impact-brands/

https://www.warc.com/newsandopinion/news/brands_benefit_from_data_transparency_practices/42639?utm_source=daily-email-free-link&utm_medium=email&utm_campaign=daily-email-emea-prospects-20190916

https://www.warc.com/newsandopinion/news/brand_ads_on_youtube_appear_alongside_fake_cancer_cures/42636?utm_source=daily-email-free-link&utm_medium=email&utm_campaign=daily-email-emea-prospects-20190916