Detalhe de imagem da página principal do site AzMina Detalhe de imagem da página principal do site AzMina / Reprodução

Revista e jornalistas sofrem assédio digital após reportagem sobre aborto

Integrantes da redação da revista on-line AzMina afirmam sofrer ataques e ameaças nas redes sociais desde a tarde da última quinta-feira (19) após duas contas com grande alcance junto ao público de direita comentarem texto da publicação sobre aborto no Twitter, informou a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). As contas acusaram o veículo de “apologia ao crime” e “incentivo ao assassinato”. Além disso, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, marcada em um dos comentários, classificou como "absurdo" o enfoque dado pela revista e classificou o texto como "apologia ao crime".  

A AzMina, segundo a Abraji, publicou reportagem sobre os procedimentos para a realização de aborto legal no Brasil e no mundo, e reproduziu recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a prática de aborto seguro. Em seu perfil virtual, a publicação relata que foram divulgados endereços e dados da equipe por pessoas contrárias à reportagem, além de ameaças e processos judiciais. "AzMina faz jornalismo porque acredita que a informação pode salvar vidas e lutar contra o machismo", informou a publicação, conforme o site GaúchaZH.

Além dos comentários das duas contas de direita em redes sociais, peças de desinformação sobre a reportagem e a revista ampliam o assédio digital contra a redação de AzMina, de acordo com a Abraji. Alguns perfis disseminam a imagem e o perfil da repórter que assina o texto, com comentários sobre sua vida privada e ofensas, relatou a Abraji.

A ministra Damares, por sua vez, afirmou ainda que deu “encaminhamento à denúncia” sobre o caso às autoridades. A assessoria de imprensa do ministério informou que a ministra encaminhou o caso ao Ministério Público Federal para que o órgão apure se a reportagem incorre em algum crime. 

A Abraji repudiou o assédio digital aos jornalistas e pediu aos Ministérios Públicos Federal e paulista que não deem seguimento a eventuais representações criminais contra as profissionais e a revista, “em cumprimento a seu papel de salvaguardar a liberdade de expressão”.

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https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/kelly-matos/noticia/2019/09/a-nova-polemica-que-envolve-aborto-e-a-ministra-dos-direitos-humanos-damares-alves-ck0tpozbn002s01qs82iy68bm.html

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