“O que é importa é como fazer as pessoas pagarem por notícias”, diz Frances Cairncross Reprodução/|YouTube

“O que é importa é como fazer as pessoas pagarem por notícias”, diz Frances Cairncross

Enquanto os leitores tiverem a alternativa de noticiário gratuito na web, a sustentabilidade do jornalismo estará ameaçada. A advertência é da economista Frances Cairncross, autora do estudo sobre a sustentabilidade da indústria jornalística britânica a pedido do governo do Reino Unido para embasar iniciativas que reduzam os impacto da disrupção da imprensa na era digital e combater os excessos do duopólio formado por Google e Facebook. "Esta é a única pergunta que realmente importa: como fazer com que as pessoas paguem pelas notícias?", afirmou a economista ao comentar os investimentos milionários do Google em parceria com a editora Archant que prevê a criação de sites de notícias digitais em três regiões britânicas mais afetadas pelo fechamento de organizações jornalísticas nos últimos anos.

A economista destacou que há, no âmbito da busca por audiência on-line, “uma tentação” para a publicação de reportagens que resultam em mais engajamento e não daquelas de interesse público, que acabam por não obter o investimento necessário para pagar o custo de suas produções e distribuições. "Essa é a principal justificativa para o governo se interessar pelo que acontece com o setor de notícias. Precisamos manter a democracia por perto e ter repórteres escrevendo sobre essa área essencial de nossa democracia".

O documento produzido sob a liderança Frances Cairncross e que leva o nome dela estabelece recomendações com o objetivo de proteger o futuro do jornalismo. Uma das ideias, diz a economista, é que as notícias locais possam se tornar “um pouco como o teatro local, apoiadas por uma doação de uma instituição como o Conselho de Artes, [então haveria] 'o Conselho de Notícias'". Para ela, “é muito mais seguro obter seu financiamento de milhares de clientes do que de uma instituição”, seja o Google ou um doador filantrópico.

A economista afirma, segundo o site Journalism, que o perigo de contar com uma única fonte de financiamento é distorcer as decisões editoriais. Neste caso, também há riscos no que parece ser a principal solução para o problema. "O mundo on-line, de certa forma, dá às pessoas a liberdade de dizer o que gostam de uma maneira que as organizações de notícias financiadas nunca serão capazes de fazer", disse. "É uma válvula de segurança, nem sempre é benéfica, pois é possível que se digam coisas horríveis e não verdadeiras, mas pelo menos existe e você pode contradizer publicamente o que lê nas notícias – algo que não poderia ser feito 20 anos atrás."

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